Bolinar

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 03 Janeiro 2018
Bolinar
  • José Policarpo

 

Este verbo significa navegar contra o vento. Vem isto a propósito do discurso feito pelo presidente da república no primeiro dia do ano novo, onde fez o balanço político do ano vetusto, portanto do ano que acabara de terminar. O discurso compreendeu e bem aquilo que correu pessimamente ao país e, nunca é de mais, recordar: Tancos, Raríssimas e dramaticamente as mais de cem mortes de nossos compatriotas que pereceram nos incêndios de junho e de outubro.

Na verdade, o Presidente também falou nos aspetos positivos que foram significativos. O crescimento da economia portuguesa que foi o maior dos últimos 17 anos, o desemprego baixou da fasquia dos dois dígitos, o défice será dos mais baixos de sempre e a diminuição do serviço da dívida. Omiti a referência ao alegado abaixamento do valor da dívida, porque a tendência em baixa deverá estar mais condicionada ao aumento do produto interno, do que à descida desse valor de forma efetiva.

Conduto, os aspetos positivos, na minha opinião, não se devem às políticas do governo, à exceção do aumento do consumo interno motivado pela devolução de rendimentos e consequentemente o aumento da confiança. Porque o aumento das exportações está ligado e condicionado às reformas do anterior governo e à conjuntura internacional. E aqui, não podemos, nem devemos olvidar a intervenção do Banco Central europeu no que toca à política do preço do dinheiro, que nunca esteve tão baixo, favorecendo por isso o baixo custo dos empréstimos bancários.

Pelo que, se alguém pensa que estamos no bom caminho e que nada deverá ser feito, deverá estar muito enganado. E, exemplo evidente disso, do que o muito ainda está por fazer, foi o anunciado aumento do imposto sobre os produtos petrolíferos. O gasóleo aumenta seis cêntimos por litro e a gasolina nove cêntimos. Esta decisão é reveladora de quem não quer fazer reforma alguma.

Com efeito, os aumentos dos impostos, como é o caso do que recai sobre o gasóleo e a gasolina é revelador de uma coisa indesmentível: Não há estratégia para o país, porque a conjuntura económica atual não será sempre a mesma e chegará o dia que as empresas não poderão suportar tantos aumentos de impostos. De duas, uma: ou aumentarão os serviços e bens que vendem, ou então, encerrarão as portas com o desfecho que se conhece. Chegará o desemprego e, o espectro de mais uma intervenção externa, pairará sobre todos nós.

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