Bolsonaro e o caso Marielle

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 31 Outubro 2019
Bolsonaro e o caso Marielle
  • Alberto Magalhães

 

 

Marielle Franco, vereadora do Partido Socialismo e Liberdade no município do Rio de Janeiro, foi assassinada em 14 de Março do ano passado, juntamente com o seu motorista, quando, já noite, regressava de um debate. Dois homens estão acusados deste crime: Ronnie Lessa, que terá disparado, e Élcio Queiroz, que conduziria o carro. Na altura do homicídio, o Presidente Jair Bolsonaro era deputado federal.

Ficou agora a saber-se que Bolsonaro vivia no nº 58 de um condomínio fechado, na Barra da Tijuca, onde também vivia, no nº 66, o alegado assassino Ronnie Lessa. Segundo a Globo, no próprio dia do assassinato de Marielle, Élcio Queiroz, ter-se-à apresentado na portaria do condomínio, dizendo conhecer e querer visitar o então deputado. O porteiro terá afirmado à polícia, que contactou o apartamento de “seu Jair”, e que este lhe terá dado permissão para deixar entrar o visitante; que Élcio se encaminhou, não para o nº 58, de Bolsonaro, mas para o 66 de Ronnie Lessa.

A implicação de Jair Bolsonaro na trama assassina seria clara, não fora dois pormenores. Em primeiro lugar, nesse dia, o agora Presidente, assinou o ponto no Congresso, em Brasília, com a sua impressão digital, o que torna altamente improvável ter sido ele a falar com o porteiro. Em segundo lugar, se Élcio ia encontrar-se com o cúmplice Ronnie, porque motivo implicaria Bolsonaro, perguntando por ele?

Apesar de tudo, a coincidência é espantosa. Do 58 da Barra ao 66, é um saltinho.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com