Burrocracias e outras gralhas

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 06 Janeiro 2021
Burrocracias e outras gralhas
  • Alberto Magalhães

Alguém conhece o John Smith dos Santos? De certeza que não? Eu também não o conheço de lado nenhum. Alguém imagina que no boletim de voto das últimas presidenciais americanas poderia constar, por motivos burocráticos, o nome deste desconhecido, antes dos nomes de Donald Trump e Joe Biden? Pois em Portugal, coisa semelhante vai ser possível.

O primeiro nome na lista de candidatos em que os eleitores portugueses poderão pôr a cruzinha será o de Eduardo Baptista, ilustre desconhecido que resolveu mangar com o sistema, entregando no Tribunal Constitucional a sua candidatura, acompanhada de onze assinaturas, das quais seis validadas pelo dito Tribunal que, seguindo a lei, lhe deu dois dias para arranjar as 7494 assinaturas em falta. Entretanto, cheio de pressa para imprimir os boletins de voto atempadamente, o ministério da Administração Interna rogou aos juízes que fizessem o sorteio das posições na lista, antes de poderem eliminar o Eduardo Baptista. Parece anedota, não parece?

Querem que vos conte outra? Pois bem, a propósito das falsas informações curriculares enviadas pelo ministério da Justiça para Bruxelas, sobre José Guerra, o Procurador europeu indicado, de forma polémica, pelo Governo português, se já foi estranho ouvir a ministra considerá-las meros lapsos dos serviços, quando elas abrilhantam claramente os atributos do nomeado, calculem o meu espanto quando ouvi o porta-voz do PS, José Luís Carneiro, chamá-las de “gralhas”. Gralhas são erros tipográficos. Gralha seria eu escrever grelha em vez de gralha. Escrever “procurador-geral adjunto” em vez de “procurador” não é uma gralha, é uma promoção. Chamar-lhe “gralha” é uma anedota, à portuguesa.

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