Cá como lá, uma questão de Decência

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 09 Novembro 2020
Cá como lá, uma questão de Decência
  • Maria Helena Figueiredo

 

 

Ao fim de 4 anos em que os Estados Unidos da América foram governados por um perigoso irresponsável, o mundo democrático respirou de alívio com a vitória das eleições por John Biden e Kamala Harris.

Biden, um moderado e conciliador, tem como grande tarefa pacificar a América, reconciliar o país. Com ele foi eleita a 1ª vice-presidente mulher, filha de emigrante, racializada, com um passado político de defesa dos direitos das minorias. Kamala terá um papel importante nessa pesada tarefa de reconstrução e como a própria disse, é apenas a primeira neste cargo, outras mulheres se lhe seguirão.

Foram anos em que Trump assentou a governação na mentira, nas notícias falsas, no desprezo pela ciência e pela cultura, no afrontamento e no ódio, contra os imigrantes, apoiando os supremacistas brancos, virando americanos contra americanos e os Estados Unidos contra as instituições internacionais, a China, o mundo árabe e a Europa.

Não espero muito da política americana, mas como disse John Biden, a sua vitória foi a vitória da decência.

A decência que resulta da afirmação dos valores democráticos, do respeito pelos direitos humanos, independentemente da cor da pele, do género, orientação sexual ou do estatuto social.

Uma decência que por cá é aplaudida, mas que começa a ser pouco praticada pelo PSD.

Ao mesmo tempo que se aplaude a vitória de Biden e o fim da era Trump nos Estados Unidos, o PSD de Rui Rio abre as portas nos Açores ao Chega e a Ventura, num acordo para viabilizar um governo do PSD, cujos termos não foram publicamente divulgados mas que o Chega disse que incluía a redução de deputados e de subsídios nos Açores.

Redução de subsídios nos Açores? Com’assim? Os Açores são a região mais pobre país e é aos Açores que o PSD se compromete agora reduzir os subsídios quando, pelo contrário, o seu programa eleitoral propõe o aumento dos apoios, desde os apoios aos estudantes aos apoios aos velhos, dos apoios sociais em geral aos específicos para pais toxicodependentes?

E fazem-no sem qualquer pejo, aliando-se a um partido antidemocrático, xenófobo, homofóbico e racista, que em Portugal tem uma prática política idêntica à de Trump. Ou para o PSD é irrelevante o recurso a subscritores falsos na formação do partido, a divulgação de notícias falsas, o uso de milhares de perfis falsos nas redes sociais, a mentira e o ódio como instrumentos para dividir e granjear apoiantes?

O que está em causa não é o PSD fazer uma aliança, o que está em causa é com quem a faz. O PSD e Rui Rio iniciaram um caminho perigoso de normalização do Chega e isso não é digno de um partido que se diz democrático. É uma questão de decência.

Até para a semana!

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