Cabrita igual a Cabrita

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 21 Maio 2021
Cabrita igual a Cabrita
  • Alberto Magalhães

 

 

O agente da PSP Manuel Morais escreveu no seu Facebook que André Ventura era uma “aberração” e apelou: “Decapitem estes racistas nauseabundos que não merecem a água que bebem”. Denunciado, foi-lhe aplicada, pelo núcleo de deontologia da polícia, uma pena de suspensão de 10 dias, não pagos. Durante o processo disciplinar, Morais usou a já habitual defesa da metáfora, jurando que “em momento algum quis ofender ou decapitar alguém”, mas apenas “transmitir que é necessário decapitar as ideias racistas”. Mais afirmou, ter apagado a publicação e tentado contactar o deputado e pedir-lhe desculpa, coisa que não conseguiu. Como não convenceu, recorreu da pena, mas Magina da Silva, director nacional da PSP, confirmou-a.

Este tipo de anti-racistas empenhados, que lutam por condenar xenófobos por crimes de ódio e ilegalizar partidos, ao mesmo tempo que incitam à degola das aberrações, não vendo nisso nenhuma contradição; mais, que depois arrenegam tudo o que disseram para evitar um castigo que, em princípio, deveriam considerar injusto, incomoda-me. Devo, no entanto, deixar dito que, para mim, o agente Morais tem o direito de ofender o deputado Ventura. Já quanto ao apelo às decapitações a conversa é mais séria, pois poderia dar ideias a um anti-racista mais tresloucado. Mesmo assim, teria muitas dúvidas em criminalizá-lo.

Mas, eis que se soube ontem que, com o argumento de que as afirmações do agente terão sido retiradas do contexto e entendidas erradamente, Eduardo Cabrita (mais uma vez ele), resolveu mostrar a Magina da Silva quem manda, dando “provimento parcial” ao recurso do agente Morais, suspendendo a sua pena e mandando pagar-lhe os dez dias de castigo. Claro que o “esterco” de argumentação utilizada pelo futuro ex-ministro, aberrante e insultuosa para a inteligência do cidadão comum, não é novidade em Cabrita. É só mais uma dose.

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