Caça aos gambuzinos

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 10 Março 2022
Caça aos gambuzinos
  • Alberto Magalhães

 

Hoje estão marcadas negociações entre os ministros dos Negócios Estrangeiros russo e ucraniano. Este último, segundo o primeiro, de um país que não existe e representante de um bando de “drogados e neonazis”. Enquanto esperamos os resultados, lembrei-me, não sei porquê, desta história do Mário-Henrique Leiria, ‘A caçada’:

A minha primeira caçada aos gambuzinos aconteceu pelos tempos em que eu andava ainda na escola. Convidaram-me e explicaram-me. Até me ofereceram o saco conveniente e necessário.

Excitado, preparei-me em casa. Treinei devidamente, emboscado atrás da porta, a tentar caçar experimentalmente o meu pai, que subia a escada. Pareceu-me que não gostou. Os pais, não é…?

Na noite da caçada, lá fomos. Eu entusiasmado, com a lanterna e o saco apropriado. E também a moca que estava atrás da porta, que à noite há ladrões, foi a justificação que me veio à cabeça no momento. Todos concordaram.

Mas não me venham dizer que não há gambuzinos. Apanhei três. Um deles parece que se chamava António André e ficou coxo. Ainda está, creio. Uma fractura excelente, mesmo pela rótula.

Tudo me leva a crer que a caça aos gambuzinos é realmente importante. Temos que apanhá-los. Temos mesmo. Seja lá como for.”

Esta história é um dos ‘Novos Contos do Gin Tónico’.

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