Cada coisa a seu tempo

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 08 Fevereiro 2019
Cada coisa a seu tempo
  • Rui Mendes

 

 

O Governo está na sua fase final, a poucos meses de terminar funções.

Talvez por isso, e porque estamos num ano em que se irão realizar três eleições, o primeiro-ministro optou por substituir algum do seu conhecido discurso.

Finalmente o primeiro-ministro desceu à terra, já percebeu que o país não tem condições para suportar o volume de despesas decorrentes das promessas e expectativas criadas e, também, os custos do conjunto das reivindicações que os diferentes grupos profissionais vêm exigindo, pelo que em declarações proferidas na Assembleia da República referiu: “Não nos peçam para fazer o impossível”, respondendo assim às exigências dos enfermeiros.

Este discurso, bem mais realista, servirá como recado para os vários sectores da administração pública que aguardam soluções para as suas exigências.

Mas registe-se também que o mesmo António Costa, esta semana em entrevista na SIC, admitia que em 2020 possam existir aumentos salariais para toda a Função Pública, dependendo do crescimento económico e da sustentabilidade das contas públicas.

Admitamos que esta declaração é completamente fora de tempo, ainda agora entrámos em 2019 e já se fala dos aumentos salariais dos funcionários públicos para 2020, e só poderá ser compreendida pela proximidade dos três actos eleitorais que decorrerão este ano.

Também porque o secretário-geral do PS, ou seja, o mesmo António Costa, não crê numa maioria absoluta dos socialistas, pelo que importará desde já ir criando expectativas a um grupo de funcionários que integra mais de 600 mil pessoas.

Temos como certo a desaceleração da economia europeia em geral e da portuguesa em particular, tendo a Comissão Europeia revisto em baixa o crescimento da economia portuguesa em 2019 para 1,7%.

Mas para além da desaceleração das economias existem outros riscos (Brexit, guerra comercial, Venezuela, etc) que trazem incertezas e que poderão ter impactos sérios na nossa economia e nas contas públicas, pelo que custa a entender por que razão em Fevereiro de 2019 se fala em aumentos para a função pública para 2020, ainda que não se questione a justiça desses aumentos.

É o criar expectativas desnecessárias, tanto mais que em 2020 o Governo será outro, terá a constituição que o resultado das eleições legislativas do próximo mês de Outubro ditar, pelo que será o próximo primeiro-ministro que terá que resolver essa questão e não o actual, que só fala desta questão para tirar daí dividendos.

Até para a semana

Rui Mendes