Calma a mais

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 22 Fevereiro 2019
Calma a mais
  • Alberto Magalhães

 

 

O jovem tímido, sobretudo com raparigas, bailarino virgem e inseguro, chega ao baile, olha em volta, localiza duas ou três garotas com quem gostaria de dançar e decide acalmar a ansiedade bebendo uma cervejinha no bar. Para ganhar coragem! Várias cervejinhas depois, coragem ganha, mas intoxicado e trôpego, tenta compreender por que motivo ninguém quer dançar com ele, precisamente agora que ele está tão à-vontade.

A jovem ansiosa, que costuma bloquear nos exames, toma uma generosa dose do calmante da mãe e ruma, mais confiante, para a prova. Infelizmente, a calma é tanta que acaba por prejudicar fortemente o seu desempenho.

A directora da prisão de alta segurança de Paços de Ferreira, Fernanda Barbosa, chamada à Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, no dia 13, para ser ouvida sobre queixas de reclusos recebidas no Parlamento, e suspeitando de que os deputados iriam querer interrogá-la sobre a festa havida quatro dias antes na sua cadeia, deve ter seguido um procedimento igual, ou semelhante, aos que brevemente descrevi atrás. Vai daí, a figura que fez e deixou os deputados de boca aberta.

O que tomou ou fumou não sei, mas que foi algo, quase aposto. Que a dose deve ter sido substancial, parece-me óbvio. Caso contrário, se nada tomou, se é genuinamente assim, então há que responsabilizar quem a nomeou para directora de uma prisão de alta segurança.

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