Câmara de Évora – Tanta parra e tão pouca uva

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 01 Outubro 2018
Câmara de Évora – Tanta parra e tão pouca uva
  • Maria Helena Figueiredo

 

 

Faz hoje precisamente 1 ano que tiveram lugar as eleições autárquicas e, apesar de ter perdido 10% dos votos, a CDU manteve a maioria absoluta na Câmara Municipal.

Entrava-se assim no 5.º ano de gestão da CDU, com a promessa de que, depois de ter posto as finanças municipais no carril certo, poderia agora fazer obra.

Um ano passado sobre as eleições, como estão o concelho e a cidade? que promessas estão a ser cumpridas? Que respostas estão a ser dadas às necessidades das populações.

Uma coisa é certa: este ano pode ter faltado pão, mas circo não faltou seguramente.

A cidade animou-se com múltiplos eventos, uns promovidos pela Câmara outros apoiados e o Verão foi atravessado por muitos espectáculos integrados no Festival “Artes à Rua”. 50 dias de festival, 150 espectáculos e um custo que, pela informação prestada pelo Presidente da Câmara à Assembleia Municipal, terá rondado, pelo menos, o meio milhão de euros.

Bons espectáculos que trouxeram à rua muitos eborenses e visitantes, dando vida à cidade e também a oportunidade de os agentes locais apresentarem as suas produções.

Mas foi tudo bom? Tudo transparente? Infelizmente não. E é por essa falta de clareza e pelos elevados montantes envolvidos que a Câmara deve apresentar um relatório do “Artes à Rua” que permita perceber quem contratou, quanto pagou por cada espectáculo ou porque adjudicou serviços a certos agentes ou pagou elevados montantes a empresas criadas nas vésperas.

O favorecimento de alguns, a falta de transparência e os processos pouco claros continuam a ser timbre deste executivo CDU.

Continuam os sucessivos contratos, sem concurso, a quem tem ligações partidárias, como foi o contrato com a mediadora Ponto Seguro, a que o presidente da Câmara sempre fugiu de esclarecer.

Também não podemos deixar em brancas nuvens o facto de o Executivo Municipal deixar passar mais um ano sem ter tomado medidas para resolver questões prioritárias.

Reforço da Habitação Publica não se vislumbra, apesar de tanta gente sem casa; medidas de apoio social aos cidadão e cidadãs mais carenciados não se conhecem.

Nas vésperas do início do ano escolar, a Câmara denunciou o contrato com o Ministério da Educação e 2.000 alunos foram afectados, mas alguém percebeu no final que reforços de pessoal conseguiu a Câmara? E, como fazem outras Câmaras, não deveria ter preparado o apoio à aquisição de manuais escolares até ao 12.º ano, ajudando alunos e famílias?

Em contrapartida, olhamos à volta e vemos a cidade suja, com lixos por recolher por todo o lado, a cheirar mal, numa evidente incapacidade de a Câmara responder às obrigações mínimas de saneamento e higiene.

E se no mandato passado o executivo justificava a falta de limpeza com o PAEL, que não permitia a contratação de pessoal, ou até com a actuação dos munícipes, este ano mudou o registo e, concordando, justifica-se com o aumento de movimento e de actividade na cidade. Ora, é obrigação do executivo planear e adequar os serviços às necessidades.

Mas não é só o lixo, são as ruas esburacadas, barreiras de sinalização que se eternizam, ervas a crescer em matagal pelos cantos. É o desleixo geral numa cidade Património da Humanidade.

Também o tão necessário Plano de Mobilidade, anunciado tantas vezes, continua numa qualquer gaveta.

Tal como a intervenção no Centro Histórico continua a ser muito anunciada mas pouco praticada, demitindo-se o Executivo de um papel incentivador do arrendamento para habitação dos prédios devolutos e da intervenção junto dos proprietários ou mesmo da intervenção directa, como a lei permite, para que não se deixe chegar a situações de degradação e derrocada como aconteceu este ano na Rua do Cano.

E podia continuar: nada é feito no Mercado 1.º de Maio, o grande debate sobre a Feira de S. João continua por fazer e a Feira a cada ano é mais pobre, o Jardim Público mete dó, tal não é o abandono, ao ponto de parte dos arcos das “Ruínas Fingidas” terem sido partidos e estarem caídos no chão, ao deus dará…

A propaganda é muita, mas o que se faz é correspondente? Esta é uma reflexão que convido cada ouvinte a fazer.

Até para a semana!

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