Campanha eleitoral

Crónica de Opinião
Terça-feira, 23 Janeiro 2024
Campanha eleitoral
  • Capoulas Santos

Apesar da campanha eleitoral só começar oficialmente no final de fevereiro, a mesma já nos vai entrando, diariamente, porta adentro, através da comunicação social.
Com a preciosa ajuda do elevado número de analistas, comentaristas e outros fazedores de opinião da sua área política, a direita, sobretudo, procura fazer crer que os resultados de uma governação se medem apenas com o que o que os próprios, jocosamente, classificam como os “casos e casinhos”, ou seja, os episódios menos felizes que ocorrem em todos os governos, mas que são absolutamente marginais quanto ao essencial.
Fogem, assim, como o diabo da cruz, da análise séria dos principais indicadores com que, nacional e internacionalmente se mede a eficácia da ação de qualquer governo e que traduz o que realmente interessa às pessoas, às famílias e às empresas.
Vejamos algumas das questões cujo debate direita tanto teme:
– Salários: para além de ser necessário continuar a criar condições na economia para que se possa ir mais longe e mais depressa, o salário mínimo aumentou, neste período, mais de 60%. Convém lembrar que a direita a tal sempre se opôs ferozmente. O mesmo sucedeu com os restantes salários, quer no setor privado, quer no publico, à medida que se foram consolidando as contas publicas, os aumentos foram sempre acima da inflação, como os acordos de concertação social e o decidido para toda a função pública para 2024 bem comprovam;
– Pensões: O que dizer da comparação dos aumentos reais das reformas e pensões dos oito anos de governos PS, com os cortes anteriores do PSD e CDS? Os reformados têm memória.
– Crescimento económico: contrariamente ao período anterior de crescimento anémico ou mesmo negativo, os oito anos e governo socialista foram de crescimento acima da média europeia, recolocando Portugal na rota da convergência que não tinha conhecido ainda este século:
– Desemprego: Decréscimo continuado nos últimos 8 anos, encontrando-se em valores historicamente baixos, apesar de mais de dois anos de pandemia e outros tantos de guerra na Europa;
– Exportações: Crescimento sustentado em todos os setores, incluindo aqueles com menor tradição neste domínio, como é o caso dos setores agrícola e agroalimentar.
Isto apenas para referir alguns aspetos mais relevantes e no contexto desfavorável já referido a que acresceu um período de inflação importada como se não conhecia há quatro décadas.
Porém, tal não impediu que se reforçasse a sustentabilidade da segurança social, que se assegurasse o equilíbrio e até o excedente das contas publicas, algo que nos últimos 50 anos só aconteceu por duas vezes, precisamente em 2019 e 2023, bem como uma acentuada redução da divida pública em percentagem do PIB.
Não tendo nenhumas duvidas sobre as razões por que todos fogem destes temas e recusam dizer como fariam melhor, e sendo pessimista quanto ao tipo de campanha eleitoral que aí vem, onde tantos já começaram a prometer tudo a todos, sou, contudo bastante otimista, quando à comprovada sabedoria do nosso povo, segundo a qual, “quando a esmola é grande, o pobre desconfia”.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com