Cantar vitória antes de tempo

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 05 Novembro 2020
Cantar vitória antes de tempo
  • Alberto Magalhães

 

 

Desta vez as sondagens parecem ter acertado e – felizmente – tudo parece apontar para uma derrota de Donald Trump. Curiosamente, o trauma jornalístico que foi a eleição de Trump e a derrota da senhora Clinton contra todas as sondagens, ainda se mantém bem visível, nas cautelas com que os números vão sendo recebidos desta vez.

Por exemplo, toda a gente sabia – havendo muitas dezenas de milhão de votos por correspondência e sendo estes, decerto de forma esmagadora, votos em Joe Biden – que existia a possibilidade de um aparente ascendente de Trump na noite das eleições, dando-lhe a hipótese de cantar vitória, para mais tarde as posições se inverterem.

Pois foi mesmo isso que aconteceu, com um pequeno grande pormenor, Trump começou por cantar vitória mesmo nalguns estados onde ia em segundo lugar. Mas, numa altura em que Biden já contava com 253 delegados (ou grandes eleitores) e Trump tinha menos quarenta, ouvi comentadores televisivos pouco confiantes no que chamavam uma “vantagem mínima” de Biden. É verdade que nem tudo está perdido ainda para Trump, agora que são 3h da madrugada. Mas os votos por correspondência, os tais que ele gostaria de invalidar, talvez não estejam todos contados amanhã à noite, porque ainda estão muitos por contar. Trump pressente a derrota e está farto de espernear e espumar.

Ou seja, o vento sopra a favor de Biden e espero que tenha sido Trump, e não eu, a cantar vitória antes de tempo.

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