Capitulacionismos

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 16 Março 2022
Capitulacionismos
  • Alberto Magalhães

 

 

Tudo parece indicar que as tropas de Putin não se limitam a atacar objectivos militares. A destruição deliberada de prédios de habitação, hospitais e escolas, está a tornar-se, progressivamente, a sua norma de actuação. A resistência ucraniana parece levar os invasores a aumentar a brutalidade dos ataques e a escalar nos crimes de guerra. Depois de ter anexado a península da Crimeia sem grande problema, Putin não esperava, decerto, tão grande oposição. Muito menos tão grande indignação das opiniões públicas europeias – e mesmo mundiais – que, seguindo a destruição do país pela televisão, parecem prontas para mostrar um elevado grau de solidariedade com o povo agredido.

Enquanto Putin é, cada vez mais, obrigado a mostrar o seu lado mais tenebroso, aumentam as vozes que pedem aos ucranianos que se rendam, evitando maior mortandade e destruição. Se ouvirmos essas vozes com cuidado, poderemos distinguir as pessoas verdadeiramente condoídas com a dor das vítimas, verdadeiras pombas apelando à paz a todo o custo, das falsas pombas, que exigem a rendição ao governo ucraniano para o responsabilizar pelas mortes (ditas inúteis) dos seus concidadãos.

As primeiras trazem-me à memória “A cabana do pai Tomás”, a história do escravo satisfeito com a sua condição e desaconselhando rebeliões, sem perceber o valor da liberdade. Recordam-me também que Portugal viveu muito assim, desta atitude, durante 48 anos de Estado Novo. Quanto às outras vozes, cínicas, são indesculpáveis.

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