Casamentos baratos

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 04 Novembro 2020
Casamentos baratos
  • Alberto Magalhães

 

 

Anuncia-nos o Público de hoje que, nos 121 concelhos mais expostos à covid-19, as bodas só poderão ter até cinco pessoas. Ou seja, segundo o gabinete de imprensa da Ministra de Estado e da Presidência, uma vez terminada a eventual cerimónia religiosa, onde poderão estar mais convivas – seguindo, claro, as regras da DGS – “a festa de casamento deverá restringir-se a cinco pessoas” excepto “se pertencerem, de facto, ao mesmo agregado familiar, entendendo-se por agregado familiar “núcleos familiares que vivem na mesma casa.”

Assim, a não ser que as famílias de origem dos noivos se tenham juntado numa só morada fiscal antes da cerimónia, sendo os noivos geralmente dois, restam poucos lugares na festa. A sua distribuição pode ser tão problemática que pode levar a uma zanga profunda e definitiva dos noivos.

Até parece manha da DGS para anular mais uma possível – e provável – cadeia de transmissão. Mas, atrevo-me a perguntar: porquê cinco convivas, se nos restaurantes podem ser seis? Há alguma evidência científica para estes números ou “calhou” ser cinco nas bodas e seis nos restaurantes? Talvez o mais coerente fosse mesmo aconselhar, aos noivos, o adiamento sine die do copo-de-água.

A indústria matrimonial levará um rombo financeiro e merecerá o apoio estatal, mas muita gente aproveitará para casar com despesa mínima e ainda mais gente vai suspirar de alívio por não ter de comprar fato para a cerimónia e prenda para o casal.

Resta dizer que, por enquanto, nos restantes concelhos do país menos afectados pela covid-19, as bodas podem ter até 50 pessoas. Por enquanto.

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