Cem anos depois de abalar o mundo

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 09 Novembro 2017
Cem anos depois de abalar o mundo
  • Eduardo Luciano

 

 

A 25 de Outubro ou a 7 de Novembro de 1917, conforme o calendário que usemos, o mundo foi abalado por algo nunca visto, ou melhor, já pressentido uns anos antes em Paris.

Pela primeira vez na história uma revolução colocava no poder um Partido que se propunha como objectivo pôr fim à exploração do homem pelo homem e construir uma sociedade socialista, substituindo a burguesia pelo proletariado na direcção do Estado.

Esse projecto de sociedade, com erros e desvios na sua construção, com afastamentos de princípios basilares sempre anunciados, foi capaz de transformar uma estrutura feudal numa sociedade capaz da conquista do espaço, em pouco mais de cinco décadas.

Quando cinco anos após a Revolução se formou o Estado multinacional composto por um conjunto de repúblicas com a mesma estrutura de poder, assente na democracia dos sovietes, começou a construção de um país que haveria de garantir a vitória sobre o nazi fascismo, a conquista do espaço, a garantia de uma paz duradoura, e o alargamento dos ideais socialistas a outras zonas do globo.

Dito isto assim hei-de ter à perna todos os anticomunistas empedernidos, todos os revisores oficiais da história, todos os que se limitam a enfatizar os erros, crimes e desvios dos ideais dos revolucionários de 1917.

Comecemos então de forma mais romântica. A Revolução de Outubro (que por acaso foi em Novembro) foi o momento que marcou toda a história do século XX. Tenho sempre na memória as imagens icónicas de Vladimir Ilitch a falar às massas de operários, debruçado sobre a escrivaninha a escrever as “Teses de Abril”, “Que fazer”, “A doença infantil do comunismo” ou “Materialismo e empiriocriticismo”.

Mas o que importa mesmo, é o resultado das massas em movimento no assalto ao poder para destituir o governo de Kerenski. O que importa mesmo é o processo revolucionário que ainda hoje tanto incomoda os detractores da ideia de possibilidade da existência de uma sociedade onde a classe de produtores assuma o poder.

Cem anos depois não é possível uma Revolução como a de 1917, porque as condições são hoje outras e o desenvolvimento das forças produtivas assume características diferentes.

Mas, acredito eu, que a ideia de um futuro mais risonho para a humanidade passa por uma sociedade onde se espera de cada um segundo as suas possibilidades e distribua a cada um segundo as suas necessidades. A ideia de uma terra sem amos.

Esta é a herança que não podemos negar. A Comuna de Paris durou uma centena de dias, a experiência do Estado soviético durou pouco mais de 70 anos. É um grande salto em frente.

Como diria a minha prima Zulmira, se os amanhãs não cantarem, teremos sempre a perspectiva de uma bela sinfonia.

Até para a semana

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