Centro Comercial às Portas d’Avis: O que faz correr a CDU?

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 11 Junho 2018
Centro Comercial às Portas d’Avis: O que faz correr a CDU?
  • Maria Helena Figueiredo

 

 

Quando se pensava que a venda de terrenos municipais às Portas d’Avis para a construção de um Centro Comercial estava morta e enterrada, uma vez que a Hasta Pública lançada pela Camara Municipal de Évora – contra as opiniões de comerciantes e especialistas em património – tinha ficado deserta, a CDU voltou à carga, primeiro em contacto com os Partidos, e agora apresentando novamente um caderno de encargos para a venda.

Como os interessados acharam que a Câmara punha muitas condições para a realização do negócio, nada como aligeirá-las e facilitar a vida aos privados. Aligeiram-se as condições de salvaguarda do património como se aligeiram as garantias e os compromissos para com o município.

Tudo isto nos leva a colocar uma questão: Que interesses se movem fora dos nossos olhares ou que compromissos estão assumidos para que Pinto de Sá insista na venda dos terrenos municipais às Portas de Avis para a construção de um Centro Comercial?

Pergunta legítima para quem acompanha a actuação da Camara Municipal relativamente à venda destes terrenos que são da cidade, numa das zonas mais sensíveis do ponto de vista patrimonial, o Aqueduto da Água de Prata.

Não será o valor que a Câmara encaixará com a venda porque os impactos negativos são muito superiores e o potencial de consequências danosas elevado.

Um Centro Comercial às Portas de Avis pode comprometer a própria classificação de Évora como Património da Humanidade pela Unesco, põe em causa o comércio tradicional do Centro Histórico e, actualmente, pode comprometer o novo Centro Comercial inaugurado não há muito no Parque Industrial e os investimentos que aí têm sido feitos.

Senão vejamos:

Até Pinto de Sá vir defender a venda dos terrenos municipais à Porta d’Avis para a construção do Centro Comercial, a CDU sempre se manifestou contra tal projecto.

Defendia, então e bem, que Évora precisa de um Centro Histórico vivo e funcional sem a concorrência desigual que a construção de um centro comercial iria trazer e as consequências dramáticas para o comércio tradicional e para a sua desertificação.

Num processo de consulta e debate que atravessou 2014 e 2015, promovido pela Câmara mas também pelo Grupo Pro Évora, ficou claro que nem comerciantes, nem especialistas da área do Património, nem a maioria dos cidadãos que participaram nessas sessões concordaram com a venda dos terrenos municipais para a construção de um centro comercial.

Ainda assim, a Câmara insistiu.

Ao contrário do que seria normal e cauteloso para quem tem a obrigação de proteger a cidade, enquanto Património da Humanidade, a Câmara fugiu sempre a consultar a Direcção Regional da Cultura sobre aquela localização para um centro comercial, certamente por saber que a opinião seria negativa, uma vez que compromete definitivamente o estabelecimento da Zona Especial de Protecção, que deveria estar já fixada e que – quem sabe se não é por este motivo! – o executivo municipal há cinco anos atrasa.

Por outro lado, Pinto de Sá dizia em 2015 que a construção de um Centro Comercial em Évora era inevitável e sustentava-se num Estudo de 2007 da Prof Teresa Barata Salgueiro.

Acontece que esse estudo – feito quando não havia outros centros comerciais num raio de 100Kms e grandes superfícies comerciais, como há hoje, e cuja actualização proposta pelo Bloco de Esquerda a Câmara recusou – claramente afirma que não é recomendável a existência de mais de um centro comercial em Évora, dada as baixas taxas de crescimento da população e elevadas de envelhecimento e dependência e, sobretudo, a necessidade de incentivar o desenvolvimento sustentável do tecido comercial do centro histórico.

E se Évora agora já tem um Centro Comercial, numa zona onde se concentram várias outras grandes superfícies de marcas comerciais conhecidas, como se justifica um segundo?

Não colhe, portanto, também já este fundamento adiantado por Pinto de Sá quando a Câmara Municipal lançou a Hasta Pública que acabou por ficar deserta.

Desde sempre, o Bloco de Esquerda se manifestou contra a venda destes terrenos municipais e a construção do Centro Comercial nas Portas d’Avis.

E o PS e PSD deixaram claro na campanha para as últimas eleições autárquicas que rejeitavam a instalação de um empreendimento comercial naquela zona, tendo como projecto um “Parque da Cidade” (no caso do PS) e um “Parque Verde” (no caso do PSD).

Face a tudo isto pergunto: que faz correr a CDU para propor agora uma nova venda dos terrenos das Portas d’Avis em condições mais desfavoráveis ainda para o Município?

Até para a semana!

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