CGD – 2.º capítulo

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 28 Outubro 2016
CGD – 2.º capítulo
  • Rui Mendes

 

Uma história em capítulos.

Este poderia ser o título do que se vem passando na Caixa Geral de Depósitos.

Com a entrada em funções do actual Governo foi-nos dado a conhecer a necessidade de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, apesar do montante ter sido sempre algo pouco objectivado. Qualquer coisa na ordem dos vários milhares de milhões de euros.

Já nem estranhamos quando se fala em recapitalização da banca, quando os montantes necessários assumem valores de elevadíssima grandeza, porque quase todo o sector passou recentemente por processos idênticos.

Logo de seguida aparece o caso da designação dos membros para os órgãos de gestão. Algo que se arrastou por largos meses, e durante o qual alguns dos nomes inicialmente propostos vieram entretanto a ser excluídos. E só recentemente a situação ficou resolvido.

Depois, o facto das remunerações auferidas pelos gestores que gerem a Caixa Geral de Depósitos.

Por um lado não se entende as razões do aumento das remunerações, por outro percebe-se da justeza de alinhamento com as remunerações auferias no sector.

Contudo, não esquecer que parte substancial da remuneração é paga em razão do cumprimento de objectivos.

Mas, como senão chegasse, levanta-se mais uma questão. Para uns os gestores da CGD apenas devem prestar contas ao accionista, no caso ao Estado que é detentor de 100% do capital da

CGD, e aos órgãos de controlo interno do banco.

Para outros os gestores devem proceder como todos os demais dirigentes e gestores da administração pública, ou seja, devem entregar a declaração de rendimentos e património ao Tribunal Constitucional.

Haverá aqui certamente algum ruido desnecessário porque esta questão parece de fácil resolução.

Contudo, como não houve desde logo uma posição clara, gerou-se a polémica.

Questão que mostra a descoordenação de todo este processo.

É que cada problema na CGD parece ser gerador de casos e de desconfianças.

Esperemos que a CGD estabilize. Que faça o seu papel de banco de apoio à economia. Que seja gerador de lucros, e que não absorva recursos financeiros ao Estado, os quais são necessários para outros fins.

E o essencial.

Do essencial pouco se sabe. Pouco se sabe da recapitalização, em especial como se irá processar e que efeitos poderá ter no cumprimentos dos compromissos de Portugal no quadro da União Europeia. E nós, enquanto contribuintes temos o direito de saber.

Até para a semana

Rui Mendes

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