Choque de realidade ou banho de retórica?

Nota à la Minuta
Terça-feira, 12 Abril 2022
Choque de realidade ou banho de retórica?
  • Alberto Magalhães

Depois de Marcelo, na tomada de posse do XXIII Governo, ter apresentado uma atabalhoada proposta de actuação governativa e depois de António Costa ter fleumaticamente respondido com a apresentação de um programa de Governo decalcado das propostas eleitorais de Janeiro, como se tudo continuasse a fluir tranquilamente e a Rússia não tivesse invadido a Ucrânia, a inflação não disparasse e o futuro não arrepiasse, veio ontem Cavaco Silva lançar um repto ao primeiro-ministro, desafiando-o a governar com o objectivo de (e cito) “dentro de dez anos, trazer Portugal de volta à 15.ª posição entre os 27 países da UE, em termos de rendimento per capita, em que se encontrava em 2002. Se este objetivo não for alcançado, acrescenta Cavaco, “tendo o país recebido da UE um montante de fundos elevadíssimo, nunca antes verificado, pode dizer-se que o poder político falhou”. Vale a pena ler, no Público de ontem.

Também ontem, o Governo apresentou um conjunto de medidas de emergência, para fazer face ao aumento dos preços nas áreas energética e agro-alimentar, com os objectivos declarados de proteger as famílias e as empresas e de garantir a coesão social e o crescimento económico. Razoáveis, para muitos, insuficientes, para outros, veremos o que resulta da sua aplicação. Entretanto, a recusa de António Costa em admitir o aumento de salários para combater a carestia dos bens essenciais, já pôs os partidos da oposição a falar em austeridade.

Amanhã, com a apresentação do OGE para este ano, teremos um choque de realidade ou um banho de retórica irritantemente optimista?

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