Chumbar ou passar sem saber?

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 15 Novembro 2019
Chumbar ou passar sem saber?
  • Alberto Magalhães

 

 

É verdade que aluno que reprova não melhora, as mais das vezes até piora, o seu desempenho escolar futuro. Todos os dados disponíveis o indicam. Curiosamente, também é verdade que existem cada vez mais alunos que acabam o 9º ano sem saberem os mínimos dos mínimos, ou seja, de uma forma ou de outra, com mais ou menos apoio educativo, com mais ou menos simplificação curricular, com mais ou menos retenção, eles já lá conseguem chegar sem nada saber.

Então, porquê esta agitação quando o governo, finalmente, começa a dar sinais de compreender a situação? Rui Rio pergunta: “um aluno chega ao fim do ano e não sabe. Passa ou não passa?”. A resposta a esta pergunta aparentemente clara, não é sim nem não, deve ser “depende, mas tendencialmente deve passar”. Mas depende de quê? Eis o busílis da questão (vou simplificar).

Na Finlândia, a professora percebe que uma criança não acompanhou determinada aprendizagem. Imediatamente a entrega à colega de apoio, que batalha com ela até que a aquisição seja feita e a criança esteja, de novo, a par com a sua turma. Não há reprovações, mas também não há passagens de ano sem aprendizagem.

Em Portugal, na mesma situação, a professora talvez comece por chamar a mãe da criança e pedir-lhe que puxe por ela, lá em casa. Semanas ou meses depois, tendo o atraso da criança em relação aos colegas aumentado significativamente, talvez volte a chamá-la, pedindo-lhe que procure um psicólogo, que faça um relatório para que, no ano lectivo seguinte, se possa pedir um professor de apoio, uma adaptação curricular e mais tempo para responder aos testes.

Claro que isto é uma caricatura cruel. Mas dá para perceber que a questão não é “passar ou não passar, sem saber” mas antes como evitar o dilema criando condições para que todos aprendam.

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