Ciberguerrilha II

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 10 Fevereiro 2022
Ciberguerrilha II
  • Alberto Magalhães

Ontem, mais um ciberataque. Depois da Vodafone, foi a vez da empresa dona da revista Visão. Nos últimos tempos, que se saiba, tivemos ainda a violação da rede da Cofina, dona do Correio da Manhã, e da Impresa, proprietária do Expresso e da SIC. A questão é séria, podendo afectar sectores chave do país, como se viu no caso da Vodafone, mas pode tornar-se ainda mais séria. Imagine-se o que poderá ser um ataque, malicioso e bem-sucedido, à Rede Eléctrica Nacional ou ao Metropolitano de Lisboa, para dar dois exemplos.

O risco tenderá a aumentar se, à medida que cresce a nossa dependência cibernética, não crescer a par a segurança contra os ciberataques. Porque, como dizia em Setembro o contra-almirante Gameiro Marques, director do Centro Nacional de Segurança, em entrevista ao DN e à TSF: “o que cada vez mais se vê são ameaças de natureza híbrida, ou seja, que nascem no mundo digital, mas depois têm efeitos no mundo físico”, pois agora “os incidentes não são verticais, ou seja, não são só no ciberespaço. Começam no ciberespaço mas depois propagam-se para o mundo físico premeditadamente”.

Por isso é bom saber que o decreto-lei nº 65, de 30 de Julho de 2021, estabelece os requisitos de segurança das redes e dos sistemas de informação, que devem ser cumpridos pela Administração Pública, pelos operadores de infraestruturas críticas e pelos operadores de serviços essenciais, bem como pesadas penalizações para os incumpridores. É que a ciberguerrilha pode vir a tornar-se uma coisa mesmo muito séria… e perigosa.

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