Cimeira da Acção Climática

Nota à la Minuta
Terça-feira, 24 Setembro 2019
Cimeira da Acção Climática
  • Alberto Magalhães

 

 

Em algumas famílias – e eu atrevo-me a dizer, que cada vez mais frequentemente – as crianças são levadas a encarnar o papel que deveria ser desempenhado pelos pais: cuidar, educar, orientar. Há, nessas famílias, como que uma inversão de papéis, quando pais incompetentes e fracos ou complacentes se deixam guiar pelas crianças que têm a cargo.

Chama-se a este fenómeno parentificação e geralmente dá mau resultado, sobretudo para o desenvolvimento da criança parentificada e que, no processo, acaba por se sentir investida pelos adultos de uma responsabilidade que não tem idade para assumir, podendo dizer-se que a infância lhe é roubada. Mas o mau resultado também se deve, previsivelmente, ao singelo facto de que, parentificadas ou não, as crianças – como o nome indica – ainda se estão a criar e ainda têm muito que aprender, antes de que lhes possa ser exigido que governem a família ou o mundo.

Quando as crianças parentificadas falam com o pai alcoólico ou a mãe deprimida como se estes seus filhos irresponsáveis fossem, está tudo errado: a demissão dos pais e a insolência dos rebentos.

O que se passou ontem, em Nova Iorque, na chamada Cimeira da Acção Climática, foi arrepiante. Quer o discurso de António Guterres, mais catastrofista que o filme de Al Gore, quer a actuação da jovem Greta Thunberg, ralhando e destilando ódio contra os líderes dos países representados na cimeira, ultrapassaram em muito o admissível. Já não sei se o que ali se passou é histerismo, se populismo se, simplesmente, infantilismo.