Combater a pandemia – salvar a economia

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 20 Novembro 2020
Combater a pandemia – salvar a economia
  • Rui Mendes

 

 

Esta semana foi-nos dado a conhecer mais uma avaliação da missão de vigilância ao pós-programa de assistência financeira aplicado a Portugal entre 2011 e 2014.

A Comissão Europeia conclui que Portugal continua a manter condições que permitem cumprir com os reembolsos da ajuda externa que lhe foi concedida.

Mas também nos deixa alguns alertas, referindo que o país apresenta:

1)   Baixo nível de investimento;

2)   Fraca produtividade;

3)   Efeitos preocupantes da pandemia da covid-19 na economia portuguesa, devido à elevada exposição do país ao turismo, devido a Portugal ter tido uma contração económica superior à média da UE e, também, devido a que a balança externa apresentar um pior resultado.

São alertas importantes, tanto mais que esta nova crise surge quando a anterior ainda está bem recente, com muitos dos seus efeitos ainda por resolver, especialmente os de ordem financeira, e quando a dívida pública continua no seu ritmo ascendente.

Sobretudo porque vivemos neste contexto económico é importante que as medidas que se tomem para atacar o crescimento da pandemia sejam eficazes, tendo ontem sido atingido um novo recorde de novos casos de infetados, que não se tomem medidas por experiência.

Soubemos ontem também que foi referido na reunião do Infarmed que só é possível saber a origem da infeção de uma pequena parte dos novos infetados (cerca de 20%), o que quer dizer que existe uma larga maioria de casos em que não se conhece a origem da infeção. Não conhecendo a origem será sempre difícil quebrar as cadeias de transmissão.

De facto, parece-nos que andamos sempre a correr atrás do prejuízo. O discurso político é sempre muito dourado, mas as ações acontecem sempre, ou quase sempre, de forma tardia e demasiadas vezes de forma pouco coerente, deixando uma perceção geral de algum desnorte.

Numa linguagem mais popular dir-se-á que o Governo “anda aos papéis” para combater a pandemia.

Está em trâmite a prorrogação do estado de emergência, pese embora não se saiba, em concreto, que medidas irão ser aplicadas para este “novo” período.

A quem compete agir é ao Governo. E apoio para combater a covid-19 não lhe tem faltado. Desde o Presidente da República à oposição, na sua larga maioria, sempre foram aprovando os instrumentos necessários e requeridos pelo Governo. O que falta é saber para os aplicar da melhor forma.

O relatório da missão de avaliação deixa-nos importantes alertas, diz-nos no que estamos a ficar pior, e diz-nos que os efeitos econômicos desta pandemia em Portugal serão mais negativos, quer pelas características da economia portuguesa, quer por nos encontrarmos entre as economias mais endividadas da UE.

Assim, é fundamental que não se deixe morrer os setores económicos mais afetados, porque naturalmente foram estes que tiveram maiores quebras, até porque serão eles que no futuro poderão dar novamente o desempenho económico que Portugal irá precisar.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes

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