Comemorou-se esta semana, no dia 28 de março, o Dia Nacional dos Centros Históricos

Quinta-feira, 31 Março 2022
Comemorou-se esta semana, no dia 28 de março, o Dia Nacional dos Centros Históricos

 

 

Esta data foi escolhida por ser o dia do nascimento de Alexandre Herculano, figura relevante do século XIX, como historiador e erudito, com métodos científicos para a época, recolhendo e preservando documentos essenciais para a História de Portugal, com estudos que causaram polémicas e romperam tabus, quer sobre a Idade Média em Portugal quer sobre a História da Inquisição, que alguns, extremamente conservadores, não lhe perdoaram. Foi ainda um romancista e político liberal respeitado pela sua integridade. Em Évora participou também na valorização do templo romano, desafrontado de paredes e outros acrescentos feitos ao longo dos séculos.

Se há cidades que devem comemorar este dia, Évora é uma delas, conhecida por cidade museu, e desde 1986 classificada como Cidade Património Mundial pela UNESCO, o maior Centro Histórico classificado em Portugal. Mas este título que representa um património vivido pelos seus cidadãos, foi conseguido por um imenso trabalho coletivo feito pelo município de Évora, dirigido então pelo presidente Abílio Fernandes, com a colaboração de outras instituições.

Hoje parece fácil e é consensual. Mas outras cidades em Portugal viram muito património a degradar-se por falta de vivência e abandono ou a ser demolido em nome de uma visão superficial do progresso.

Também em Évora se demoliu muito, principalmente durante o século XIX e durante o Estado Novo. Recorde-se o convento do Paraíso, onde é hoje o chamado Jardim do Bacalhau, o convento de S. Catarina, grande parte do Convento de S. Francisco e a Caixa de Água do aqueduto perto dele, a igreja do Convento de S. Mónica, hoje Escola de S. Mamede, o Convento de S. Domingos, na Praça Joaquim António de Aguiar, conhecida popularmente por Jardim das Canas, e até parte do Convento do Salvador, já em 1947 … E só não foram demolidas as muralhas porque o grupo Pró-Évora, fundado em 1919, fez ampla campanha pela sua preservação, como contribuiu para a classificação de monumentos, pela instalação do Museu de Évora e tantas campanhas, conferências e publicações até hoje.

Como outros que fizeram estudos sobre a cidade, como Gabriel Pereira com os Estudos Eborenses, Mário Chicó, durante anos diretor do Museu, ou as obras monumentais de Túlio Espanca, desde o Inventário Artístico a inúmeros artigos publicados, em particular na revista Cidade de Évora, homem erudito que mostrava de uma forma simples, afável e educada, os diferentes sítios da cidade em visitas frequentes ao longo de dezenas de anos a públicos heterogéneos.

Seria também de salientar os inúmeros estudiosos de instituições, como a universidade de Évora e outras. Mas não queria deixar de referir Afonso de Carvalho, até porque saiu recentemente o terceiro volume Da Toponímia de Évora, que estudou ao longo de dezenas de anos documentos que serviram de suporte à sua obra.

Continua-se a restaurar e a conservar a cidade com várias obras, com estudos, com planos. Esperemos que seja escolhida como Capital Europeia da Cultura, mas não é esse o objetivo único.

A cidade não é só para a fotografia, faz-se, vive-se, preserva-se, faz parte da nossa identidade.

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