Como largar o osso, Joacine?

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 28 Novembro 2019
Como largar o osso, Joacine?
  • Alberto Magalhães

 

 

Eu bem queria largar o osso, para usar a expressão que Rafael Esteves Martins, o amigo da Escócia e assessor de Joacine Katar-Moreira, lançou aos jornalistas, mas ele e a sua deputada ou melhor, a deputada Joacine assessorada por ele, tudo têm feito para se tornarem um apetecível osso, capaz de rivalizar com o tema do “homem que mordeu o cão” que, como saberá qualquer aprendiz de jornalista, é o paradigma de notícia apetecível, por contraste com as cinzentas dentadas de um qualquer cão em carne humana.

Acontece que nós, vulgares humanos, habituados a ver vulgares políticos, acossados por matilhas de jornalistas (que estes me perdoem a insistência canina), ficámos deslumbrados com a radical frontalidade da Joacine, que achou desrespeitosa a insistência das perguntas quando ela, deputada eleita pelo povo, já avisara que nesse dia (terça-feira passada) não daria entrevistas. Aliás, veio depois dizer o seu assessor, eles tinham-na importunado quando ela estava ocupada a participar numa reportagem da televisão Al Jazira, a ser filmada no salão nobre do Parlamento.

Daí, o Rafael ter pedido ao GNR à paisana que acompanhasse a deputada ao seu gabinete. Daí, o guarda ter deixado o salão nobre desguarnecido. Daí, Ferro Rodrigues ter pedido explicações ao secretário-geral da Assembleia. Daí, este ter dado uma reprimenda à segurança do Parlamento, que só deveria ter escoltado a deputada se a sua integridade física estivesse em risco. Daí, a deputada do Livre ter de perceber que, no parlamento português, os jornalistas são livres de perguntar. Até à Joacine Katar Moreira. Até os jornalistas do Catar.

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