Competências e salários

Sexta-feira, 24 Junho 2022
Competências e salários

 

A Fundação José Neves divulgou esta semana o seu primeiro relatório sobre “O Estado da Nação: Educação, Emprego e Competências em Portugal”, o qual faz uma leitura sobre aquelas áreas na última década.

Também como se relaciona a educação, o emprego e as competências.

O relatório transmite-nos múltipla informação, absolutamente relevante para que possamos concluir como tem sido a evolução da educação e do emprego em Portugal.

Vamo-nos focar particularmente na abordagem da relação entre as qualificações e os ganhos salariais.

Ainda que Portugal apresente uma população que regista défices de qualificações relativamente aos países europeus, sobretudo na população adulta, tem conseguido uma melhoria substancial de qualificações da população na última década.

Esta maior qualificação da população, especialmente a população mais jovem, tem facilitado o acesso ao emprego, porquanto mais educação está associada a maior empregabilidade, reduzindo o risco de desemprego sobretudo para aqueles que terminam o ensino superior.

Quanto aos benefícios salariais estão associados aos níveis de escolaridade e as áreas de estudo, sendo esses os principais elementos diferenciadores da remuneração.

Genericamente o salário real tem decrescido em todas as áreas desde 2010, apresentando uma ligeira inversão nos últimos anos em algumas áreas de formação (tecnologias, engenharias e saúde).

Esta é muito sucintamente alguma da informação do relatório, sendo que hoje muito se fala no aumento dos salários. Talvez porque essa perda tem sido bastante sentida e porque os níveis crescentes de inflação obrigam a que os ganhos salariais tenham que acontecer.

O primeiro-ministro, que no início do ano entendeu que aumentar os salários era criar mais condições para fazer crescer a inflação, entende agora que os salários devem crescer 20% durante esta legislatura, durante os próximos 4 anos, e que o peso dos salários no PIB deve convergir com a média europeia, ou seja, em Portugal o peso dos salários no PIB deverá passar de 45 para 48%, devendo o salário médio evoluir também.

O que sabemos é que as competências dos portugueses têm aumentado e os salários nem sempre têm acompanhado esse aumento.

Como sabemos que fazer crescer os salários depende do crescimento económico, de conseguir maior produtividade, de reduzir a carga fiscal, só assim poderá haver ganhos salariais reais.

O controlo da inflação será também determinante, porque se a inflação mantiver esta espiral de crescimento, os aumentos salariais serão parcialmente ou totalmente anulados, passando a haver apenas como primeira preocupação o manter o poder de compra.

É importante que se tenha como objetivo o crescimento real dos salários, porque verdadeiramente até agora esse objetivo esteve limitado ao salário mínimo, o que entenda-se é um objetivo muito limitado, e que serviu para nivelar por baixo.

 

Até para a semana.

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