Comportamentos e grupos de risco

Nota à la Minuta
Terça-feira, 31 Maio 2022
Comportamentos e grupos de risco
  • Alberto Magalhães

Foi assim com a SIDA. Com receio de estigmatizações e homofobias a posição oficial era que não existiam grupos de risco, apenas comportamentos de risco. No entanto, tendo em conta o seu peso relativo na população em geral, nos anos oitenta, os homossexuais masculinos eram um grupo de risco (mais de 40% dos infectados eram gays), enquanto nos anos noventa, o grupo mais atingido passou a ser o dos toxicodependentes – no final da década chegaram a ser 58% dos novos casos. Em 2020, sejamos claros, os homossexuais voltaram a atingir os 42% de novos casos. Quer isto dizer que, se é indesmentível que o que conta são os comportamentos de risco, por vezes eles aparecem mais em certos grupos que, preconceitos à parte, passam a ser grupos de risco, por requererem uma atenção especial das autoridades sanitárias.

Também a propósito da varíola-dos-macacos, os responsáveis se apressaram a dizer que a questão estava nos comportamentos de risco e que qualquer pessoa pode apanhar a infecção, por contacto corporal íntimo. Acontece que o surto português apenas atinge pessoas do sexo masculino, neste momento quase uma centena de homens. O comportamento de risco? Ter contactos íntimos com alguém infectado. Porquê só homens? Porque o surto teve origem em ‘eventos’ gay, em Espanha, e ainda não saltou o muro para o sexo feminino.

Não é preciso fazer dramas, imaginar pesadelos com execráveis perseguições e estigmatizações. É preciso alertar especialmente os homossexuais masculinos para a necessidade de serem prudentes. Mais nada.

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