Comunicação social, o monolitismo e o falso pluralismo

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 11 Janeiro 2018
Comunicação social, o monolitismo e o falso pluralismo
  • Eduardo Luciano

Se o tema não é novo e as conclusões são as mesmas de sempre, porque hei-de voltar a assunto tão gasto do controlo da comunicação social pelo poder económico através dos seus palradores, que vão da chamada direita moderada até à extrema-direita pura e dura?
Porque quanto mais se caminha para alguma, ainda que ténue, recuperação de direitos do trabalho, quanto mais se demonstra que o caminho da austeridade não tinha como objectivo o acertar de contas de mercearia, mas sim desequilibrar ainda mais a relação entre trabalho e capital, maior é a ofensiva mediática contra as propostas e opções de uma solução governativa que, apesar das incoerências e travões colocados, conseguiu travar o processo acelerado de empobrecimento geral de quem vive de rendimentos do trabalho.
O processo de concentração nas mesmas mãos, de empresas que se dedicam ao negócio da manipulação informativa contribui para formar uma opinião pública que não consegue distinguir um facto de uma mera congeminação baseada num preconceito transcrito numa frase de meia dúzia de palavras.
O contraditório fundamentado é substituído por “antenas abertas” onde, sob a capa de um pretenso dar a voz ao povo, se colocam à discussão temas já condicionados por uma barragem de opiniões no mesmo sentido.
É o alimentar de um populismo cujo único sentido é transformar a opinião de uma minoria na convicção de maiorias acríticas.
O exemplo mais gritante desta escalada a caminho da glorificação dos fascismos de diversas matizes, foi a mistificação e a groseira manipulação relacionada com o tema do financiamento dos partidos, ignorando as diferentes posições de base e as diferenças essenciais dos diversos actores.
Claro que depois de tal trabalho por quem detém os meios de difusão de ideias, não espanta que nas “antenas abertas” tenhamos cidadãos a defenderem o que o ditador Salazar defendia em nome do pôr fim “à pouca vergonha” e da “moral e bons costumes”.
Quando oiço falar na perspectiva de alguém com o posicionamento político de Luís Delgado, adquirir um vasto conjunto de títulos de imprensa, em seu nome ou como testa de ferro de outros interesses, só podemos acentuar a preocupação com este aprofundar do sentido único que até os mais distraídos começam a intuir.
Estamos a chegar à anedota do debate de ideias assente em qualquer contraditório.

Até para a semana

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