Condicionar o Mundo Livre

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 27 Abril 2022
Condicionar o Mundo Livre
  • Alberto Magalhães

O hipermultibilionário Elon Musk, tido como o homem mais rico do mundo, inovador, genial, abjecto, mau patrão, dono da Tesla e de mais uma carrada de grandes empresas, decidiu arriscar uma boa parte da sua fortuna, a saber, 44 mil milhões de euros, para comprar o Twitter, uma (relativamente) pequena mas influente rede social que, no dizer de Jack Dorsey, um dos seus fundadores, continua a dar prejuízo.

Ora, ao contrário dos, até aqui, proprietários, que se arvoraram em árbitros de bons costumes e boas práticas conviviais e se habituaram a cancelar o acesso de quem prevaricasse, silenciando por exemplo Trump, Ventura e Bolsonaro, assim fazendo o gosto aos adeptos do politicamente correcto, Elon Musk, deu em proclamar-se um “absolutista da liberdade de expressão” o que está a causar enorme borburinho nas hostes sensíveis do movimento ‘woke’, horrorizadas com a possibilidade de serem confrontadas com notícias que lhes cheirem a falsas, com afirmações que considerem ofensivas e odiosas.

Até o comissário europeu para o mercado interno, Thierry Breton, já veio avisar que Musk deve seguir as regras para moderar conteúdo ilegal e prejudicial online, referindo-se a legislação aprovada há dias em Bruxelas. Na senda da proibição dos canais russos de notícias e, claramente, resvalando para uma liberdade de expressão condicionada, mau emblema para os que se querem ver como “o mundo livre”.

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