Confiança em Boris?

Nota à la Minuta
Terça-feira, 07 Junho 2022
Confiança em Boris?
  • Alberto Magalhães

Boris Johnson foi ontem confrontado com a rejeição de 41% dos deputados do seu partido e considerou um excelente resultado ter a confiança dos restantes 59%. O resultado não parece nada promissor e muitos dirão que só não foi pior porque ainda não se perfilaram os candidatos à sua sucessão. Agora, que Boris surge como primeiro-ministro a prazo, eles certamente tenderão a aparecer, mais tarde ou mais cedo, já que as sondagens não lhe auguram nada de bom.

À vitória dos unionistas na Irlanda do Norte, consequência óbvia do imbróglio provocado pelo Brexit na fronteira com a República da Irlanda, e às frequentes quebras de abastecimento nos supermercados, também elas consequência da saída da UE, veio juntar-se o partygate. Enquanto os britânicos estavam obrigatoriamente confinados; proibidos de se juntarem em baptizados ou funerais, na residência oficial do primeiro-ministro a festança era mais que muita. Pior, posta a nu a rebaldaria, Boris foi ao Parlamento pedir desculpa e, sem pingo de vergonha, dizer que nunca reparara estar em festa, de todas aquelas vezes que o fotografaram de copo na mão.

Culpa e vergonha, dois sentimentos forjados na evolução da humanidade para nos ajudar a manter um comportamento socialmente adequado, parecem estar a desvanecer-se, de novo, nos tempos que correm. Donald Trump, Eduardo Cabrita e Boris Johnson, espelham demasiado bem essa tendência. Bastou Nietzsche insinuar a morte de Deus e o Vaticano negar as chamas do Inferno, para a honradez cair em desuso? Ou é mesmo sinal da decadência?

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com