Conselho Europeu redentor?

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 23 Abril 2020
Conselho Europeu redentor?
  • Alberto Magalhães

Foi bonito de ver, ontem, na Assembleia da República, o primeiro-ministro António Costa anunciar que o Governo baixará o IVA de máscaras, desinfectante e outros materiais de protecção, seguindo assim uma sugestão de Rui Rio. Os mais cínicos dirão que a medida era inevitável, que o presidente do PSD foi esperto em antecipar-se e que Costa não tinha outro remédio. Seja como for, caiu-me bem.

Hoje, na reunião do Conselho Europeu, chefes de Estado e de Governo têm de escolher entre a obrigação de um acordo minimamente aceitável por todos; o adiamento e costumeira lentificação nas tomadas de decisão (o que, neste caso, pode ser catastrófico para toda a União); ou um tamanho aprofundar da dissensão que, só por si, anunciará o estado comatoso irreversível do projecto europeu.

Pela parte que nos toca, é difícil desmentir que Portugal tem sido bem representado pelo governo socialista, nas negociações a 27. António Costa e Mário Centeno têm mostrado que é possível a um pequeno país, mesmo pobre e com uma grande dívida às costas, dialogar com simpatia e dignidade, sem curvar a espinha e sem deixar de bater o pé aos despautérios, quando é preciso.

Hoje, ou amanhã, saberemos se a Europa vai renascer das cinzas pandémicas ou se continua a arrastar-se, com mais ou menos aceleração, para um inevitável funeral.

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