Consequências do escrutínio

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 06 Janeiro 2023
Consequências do escrutínio
  • Rui Mendes

 

Ontem ao final do dia caía mais um membro do Governo. Os noticiários das 20h davam a notícia. A secretária de Estado da Agricultura tinha apresentado a demissão. Secretária de Estado que havia sido empossada no cargo na quarta-feira, conjuntamente com mais dois ministros e outros três secretários de Estado. A secretária de Estado da Agricultura aguentou-se no cargo um dia apenas. O escrutínio da comunicação social aos novos membros do Governo fez cair mais um.

Quis António Costa que esta última alteração governativa fosse pequena para não estar sujeito a nenhuma surpresa, para afastar a comunicação social do escrutínio aos governantes. Fez, por assim dizer, uma mini remodelação. Contudo, a secretária de Estado da Agricultura era um novo membro do Governo, a qual desempenhava um cargo de direção superior na administração pública, o que terá levado António Costa a pensar que vinha protegida pelo anterior cargo. Enganou-se.

Mais uma vez, a comunicação social pôs um membro do Governo a nu. Daí até à sua saída do Governo foi um passo, talvez tenha acontecido mais rápido do que se esperava.

Costa ainda tentou desviar as atenções ao referir que: “Vou demitir a mulher de alguém porque o marido é acusado?”. Não terá percebido que a demissão era inevitável. Apenas o tempo diria quando tal iria acontecer.  Aconteceu poucas horas após António Costa ter tentado segurar a secretária de Estado.

Cumpriu-se uma máxima romana: “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.

No dia em que o Governo respondeu à moção de censura apresentada pela IL ficou ainda mais fragilizado, não apenas pela moção de censura à qual o Governo sobreviveu porque está defendido pelo seu grupo parlamentar, que representa uma maioria na AR, mas também porque a oposição está dividida, o que vai permitindo que o Governo se sinta pouco pressionado. A fragilidade do Governo acontece quer pelos sucessivos episódios que ele próprio cria, quer pela sua incapacidade de ação.

O caso “TAP” tem criado um caos no Governo, com consequências que ainda não terminaram, mas já deixou aos portugueses a verdadeira imagem do Governo e a teia de interesses que envolve o Executivo de António Costa.

 

Até para a semana

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