Contestações

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 23 Março 2018
Contestações
  • Rui Mendes

 

Este Governo entrou com tudo, tal era a sua ânsia pelo poder.

A preocupação inicial foi revogar algumas das medidas do anterior Governo para mostrar aos seus “parceiros de governo” que merecia o seu apoio.

Foi dizendo que acabava com a austeridade e ela mantém-se, que resolvia problemas e o que se limita a fazer é ir gerindo expectativas.

Definir estratégias para o país e resolver problemas é para mais tarde, para os próximos governos, não para o actual que tem uma base de sustentação inabitual.

Precisamente por ter criado expectativas é convocado para as satisfazer.

Contudo, as expectativas criadas, não passaram disso mesmo. De expectativas.

Pensou este Governo que por ter como parceiros os partidos à sua esquerda que não estaria sujeito a acções de contestação social. Enganou-se.

De facto, nos primeiros dois anos a contestação foi praticamente inexistente.

Este e o próximo serão diferentes. Quer porque o executivo não consegue satisfazer as exigências dos vários grupos profissionais, quer porque a administração pública está mais burocratizada e com respostas lentas, fruto de um desinvestimento nos serviços e da falta uma reestruturação à muito dada como necessária.

Todos os partidos que apoiam o Governo começam a olhar para o ano 2019 e a marcar o seu espaço, de forma a tirarem os proveitos eleitorais do apoio dado aos socialistas. É como se de um investimento se tratasse.

O que este Governo pretende é mais administração pública, sem ir ao essencial que é a reorganização da administração, condição para melhorar o seu funcionamento.

Mais administração é igual a mais custos. Mais administração não é igual a melhor funcionamento. É para aqui que caminhamos.

As contestações que têm acontecido e as que se avizinham resultam deste mal-estar que foi sendo criado, da perda de confiança negocial no Governo, sendo que as negociações arrastam-se pese embora as partes estejam certas que não dão em nada, é para cumprir a regra. Tudo se prolonga por tempo injustificável. Criaram-se expectativas e prometeu-se o que não se quereria e não se poderia satisfazer.

É um descontentamento generalizado que se vive na administração por professores, médicos, enfermeiros, mas também por polícias e militares, e por todos aqueles a quem foi criada uma expectativa, e que naturalmente se sentem defraudados. As greves são um reflexo desse clima criado, do desrespeito que o Governo tem perante os seus profissionais.

Nem tudo está tão bem como se diz.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes

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