Costa no seu labirinto

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 20 Outubro 2021
Costa no seu labirinto
  • Alberto Magalhães

Paulo Trigo Pereira, catedrático do ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão) e deputado do PS na anterior legislatura, escreveu, há três dias, um artigo no Observador que começava assim: “A política tem destas ironias. Rio tinha razão. Portugal necessitava, não apenas nos anos que passaram, mas nos anos vindouros, que os dois maiores partidos nacionais que juntos ainda conseguem ter uma maioria qualificada, se entendessem sobre algumas reformas fundamentais, quer para a melhoria do sistema político quer para o desenvolvimento económico e social do país.”

Ou seja, é agora evidente para cada vez mais pessoas que, quando António Costa cortou as pontes de entendimento com o PSD de Rio, colocando a sobrevivência do Governo PS totalmente nas mãos dos partidos à sua esquerda, cometeu um enorme erro estratégico, auto-limitando drasticamente a sua liberdade de movimentos.

É certo que conseguiu, com a “geringonça”, armadilhar os seus parceiros, não lhes deixando alternativa senão sustentar o Governo (e ir mirrando lentamente) ou fazer cair o Governo (caindo eles ainda mais fundo). Mas nestas circunstâncias, sentindo-se mais acossados, PCP e BE tendem a tornar-se cada vez mais exigentes, tentando satisfazer os seus (ainda) eleitores, obrigando assim o PS a cedências cada vez mais difíceis de defender no país e na Europa.

António Costa pensou que, com um grande resultado nas autárquicas, as negociações orçamentais seriam canja, já que, se lhe chumbassem o OE, poderia sair fortalecido de eleições antecipadas. Não foi bem isso que se passou. Talvez devesse ter-se livrado do lastro de vários ministros intragáveis, antes das autárquicas. Há teimosias que se pagam.

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