Covid-19 – Impedir o contágio e agir em tempo

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 20 Março 2020
Covid-19 – Impedir o contágio e agir em tempo
  • Rui Mendes

 

 

Entrámos em estado de emergência. A opinião pública terá exigido esta medida.

Crê-se que o Presidente da República pretendeu, ao declarar o estado de emergência, dar armas ao Governo para atacar, sem tréguas, o combate ao covid-19, permitindo que o Governo tenha condições para limitar direitos.

Com a entrada do vírus o país foi parando. Com os números a crescer a preocupação dos portugueses vai aumentando. Compreensível.

Mas o que nos leva a tamanha preocupação? O contágio e o tempo. Será aqui que se focaliza o problema na sua fase inicial.

Contágio porque é fundamental evitar contágios. E estes evitam-se conhecendo as cadeias de contágio, e reduzindo contatos, reduzindo contatos e reduzindo contatos.

Tempo porque as medidas têm de ser tomadas no devido tempo. Por cada dia que se adia uma qualquer medida geram-se novos contágios que, por sua vez, irão estabelecer outras transmissões do vírus.

Para os que não perceberam o que estava em causa, definindo medidas que não evitavam o contágio da doença, devemos dizer que não foram agentes de saúde pública.

Para os que não mediram que o tempo da tomada da medida era a chave para evitar maior propagação da doença, não tiveram a visão que se lhes exigia.

Para aqueles que persistem em não tomar medidas que protejam os seus trabalhadores, não aplicando sequer as orientações emanadas pelos poderes públicos, pondo em causa o esforço da comunidade no combate à doença, diremos que são uns irresponsáveis.

Mas teremos, também, que enaltecer a atitude responsável de uma larga maioria de empresas e associações que pura e simplesmente, com custos, optaram por encerrar as suas organizações de forma a não porem em causa a saúde dos seus trabalhadores, defendendo a saúde pública.

Já percebemos que o país não tinha nenhum plano de ação para enfrentar esta doença.

Já percebemos que as medidas foram surgindo de forma desgarrada pelas diferentes áreas governativas, e que muitas dessas medidas ainda não chegou de forma clara às pessoas.

Já percebemos que muito do que se está agora a ser feito já devia ter sido feito há algum tempo.

Não será admissível a carência de meios de proteção individual aos profissionais de saúde e a tantos outros que têm de lidar diretamente com pessoas infetadas.

Não é admissível agora haver a preocupação na aquisição de equipamentos de ventilação. Isso já devia ter sido acautelado há muito.

Não é durante a batalha que se compram armas e munições.

As fronteiras encerraram tarde, e não foi por falta de alertas.

O controlo nos aeroportos foi inexistente.

Enfim, houve uma avaliação pouco cuidada deste problema.

Salva-se a alta qualidade dos profissionais que temos. Os profissionais de saúde, a que todos ficaremos em dívida, e a todos os que, nesta fase, têm de assegurar o funcionamento do que é essencial.

Para enfrentar este problema mais vale medidas por excesso.

Até porque Portugal tinha o exemplo do que aconteceu anteriormente em vários outros países, pelo que, por maioria de razão, devia ter preparado a chegada do vírus ao país. E o Governo sabia da sua chegada. Otimismos aqui nada valem, pelo contrário.

Claro que o país não poderá parar. Não poderão parar os serviços essenciais e os estratégicos. Terá de se assegurar que Portugal terá saúde e que, depois, terá vida.

Até para a semana

Rui Mendes

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