Crédito habitação

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 02 Outubro 2023
Crédito habitação
  • Carlos Magalhães

Face à conjuntura atual e à constante subida dos preços na generalidade dos bens e serviços, as famílias portuguesas estão no limite das suas capacidades económico-financeiras, onde os custos da habitação, da saúde, da educação e da alimentação, asfixiam completamente o orçamento familiar.
Num universo de mais de 4 milhões de agregados familiares, muitas são as famílias que estão em risco de não conseguir assumir a totalidade das despesas de principal relevo enfrentando assim o espectro da pobreza real.
É deveras evidente que o principal fator de asfixia do orçamento familiar, ou o mais oneroso é, sem dúvida, a prestação do crédito à habitação. Este gasto fixo mensal absorve mais de 40% do rendimento disponível familiar e sendo do conhecimento público que o preço do mercado habitacional tem subido de forma galopante, o mesmo não acontece com o rendimento salarial disponível. Devido a todas estas contingências, muitos são os jovens em Portugal que vivem ainda em casa dos seus pais, sobretudo pela falta de disponibilidade de habitação que consigam custear.
Não se pode descurar, que além destas circunstâncias de mercado, estivemos sujeitos a uma pandemia que teve também um elevado impacto
económico-financeiro, a isto junta-se a guerra na Ucrânia e a consequente oscilação dos mercados financeiros, dos combustíveis, das energias e sobretudo dos cereais, afetando todos os setores de atividade. Não bastando estas circunstâncias adversas, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde informou que as taxas de juro não irão baixar nos próximos tempos tornando-se um cenário bastante severo e duma violência para as famílias jamais vista.
Todas estas circunstâncias potenciaram o atual cenário e levam ao desgaste da sociedade civil, criando uma enorme pressão sobre as classes, especialmente a média e as mais desfavorecidas.
As medidas tomadas por este governo têm demonstrado claramente serem ineficazes, como é o caso do que foi aprovado relativamente à
renegociação dos créditos, cujo efeito foi praticamente nulo. Entende-se assim que o esforço para ultrapassar esta crise na habitação provocada pelo aumento das taxas de juro, deve ser solidário e equitativo.
Recordo que quando a banca teve dificuldades, os portugueses também foram chamados a prestar-lhe apoio, pelo que face às circunstâncias atuais, esta deve também ser chamada a contribuir para o alívio das famílias.

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