Crescimento económico revisto em baixa

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 15 Junho 2018
Crescimento económico revisto em baixa
  • Rui Mendes

 

No início deste mês o Fórum para a Competitividade reviu em baixa a estimativa de crescimento da economia portuguesa para 2% a 2,3%, anteriormente as suas previsões situavam-se no intervalo de 2,2% a 2,5%.

A desaceleração da economia e a quebra da produtividade são os factores apontados para esta revisão.

É de assinalar ainda que:

O emprego criado é em regra de baixa qualidade, referindo-se que “com o emprego a crescer a 3,2%, o PIB deveria estar a crescer a 4,5% e não a 2,1%”;

O índice do custo do trabalho caiu 1,5% no primeiro trimestre de 2018.

A economia poderá ficar mais competitiva com o menor peso dos salários no PIB, assim como a redução do desemprego será importante para o país, não só por razões sociais mas também porque reduz os custos no orçamento da segurança social.

Mas salários baixos não promovem a melhoria da qualidade de vida, e convidam a que muitos dos nossos jovens, especialmente estes, procurem melhor emprego noutros mercados.

Ontem o BCE também actualizou duas das suas previsões para 2018:

Reviu em baixa a previsão de crescimento da zona euro para 2,1%, anteriormente a sua expectativa de crescimento era de 2,4%;

Reviu a previsão de inflação da zona euro para 1,7%, anteriormente era de 1,4%.

Será certo que a economia da zona euro e a portuguesa em 2018 terá um crescimento menor do que teve em 2017, e que esses reflexos serão sentidos quer na vertente salarial, quer na menor criação de emprego.

O Governo estará alinhado com uma política de menores salários, porque tem sido essa a sua prática. O primeiro-ministro já referiu que prefere criar emprego na administração pública do que aumentar salários. Ou seja, prefere fazer crescer a máquina do Estado.

Como em tudo é necessário equilibrios para que tenhamos uma economia a crescer e que seja competitiva, mas que haja espaço para que os salários, pelo menos, não percam o seu valor, caso contrário teremos uma economia sustentada, cada vez mais, em reduzidos salários.

Muitas das políticas públicas que se apregoam, algumas com elevados custos, só se mostram porque os salários são baixos e esse facto, per si, influi na demografia, na educação, na saúde, no imobiliário, e em tudo o mais.

Razão porque o país que estamos a construir deverá ter políticas com horizontes e não apenas soluções para cada dia.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes

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