Cuidado com os abraços de urso!

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 21 Fevereiro 2018
Cuidado com os abraços de urso!
  • José Policarpo

Agora que as lideranças políticas dos partidos que têm assento no parlamento estão estabilizadas, creio eu, que estão reunidas todas as condições para que haja oposições ou oposição à atual solução governativa. Nunca é de mais relevar e salientar que não há democracia sem dialética e, por maioria de razão, sem a parlamentar.
Na minha opinião pessoal, que, por isso, só mim me vincula, não obstante os resultados positivos verificados na nossa economia, emprego e crescimento, os encargos financeiros das dívidas dos portugueses são manifestamente altos, dos mais elevados dos países da zona euro. Significa isto que, se a conjuntura externa modificar-se de um dia para o outro, bastando para o efeito, a subida do preço do dinheiro, os juros, teremos sérios problemas. As famílias, as empresas e o Estado, por razões obvias, serão logo penalizados.
Ora, se a oposição não der o enfoque necessário aos aspetos negativos da nossa vida em sociedade, não só não estará a cumprir um dever patriótico, como, também, defraudará os seus eleitorados. Mais do que acordos de regime, na atual conjuntura politica, económica e social, dever-se-á colocar em cima da “mesa” politica a sustentabilidade financeira do atual Estado. Não me parece, e, não é preciso ser economista, quem gasta 10 e ganha 8, mais cedo ou mais terá um grande problema. E nessa altura, não haverá consumo privado e turismo que nos valha, porque ninguém nos emprestará dinheiro.
Isto dito, a oposição, porque os partidos que apoiam a atual solução governativa não querem reformar nada, a única coisa que os perturba é não chegarem às próximas eleições legislativas com sondagens desfavoráveis, terá, por conseguinte, que falar claro aos portugueses. No diagnóstico que faz e nas propostas que defende para que seja assegurado um futuro digno a todas e a todos os portugueses. De contrário, mais uma vez, iremos perder uma oportunidade para mudar de vida e não deixaremos de ter uma vidinha, pelo menos a maioria dos portugueses. Será que é isso que queremos.

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