Cumprir o confinamento

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 17 Abril 2020
Cumprir o confinamento
  • Rui Mendes

 

 

Está renovado o estado de emergência por mais quinze dias.

É uma medida claramente compreensível, porque ainda não é momento para levantar restrições. Têm sido estas limitações que têm impedido maior propagação da covid-19.

É, pois, essencial que nesta nova fase seja ainda mais controlada a propagação da doença, baixando a média de contágio de cada infetado, para que se criem condições para a abertura de economia.

Na Europa já alguns países estão abrindo as suas economias, porquanto em países em que se conseguiu controlar o contágio, e existindo uma prática de uso de medidas de proteção por parte dos cidadãos, estarão criadas condições para que as economias normalizem no seu funcionamento.

Mas também é necessário que não se baixe a guarda. Doutro modo perde-se tempo e efeitos de medidas tomadas, com custos na economia ainda mais devastadores.

Em todo este decurso Portugal sempre esteve em vantagem. Primeiro porque foi conhecendo o que estava a ocorrer em outros países, em que a entrada do vírus aconteceu mais cedo do que no nosso país, pelo que se não se tomaram ações devidas em tempo mais oportuno foi porque não se quis. Segundo porque as organizações, OMS e outras, vão atualizando informação em consequência do que já aconteceu, pelo que os países em que o vírus entrou mais tarde beneficiam desse conhecimento para tomada de medidas mais eficazes.

Nem tudo correu sobre rodas no nosso país.

Lamentavelmente comparamo-nos sempre com os piores, neste caso com Itália e Espanha, e não com aqueles que, por terem tomado decisões mais corretas, conseguiram controlar a doença mais cedo e com menores custos, leia-se com menos mortes. Poderíamos citar vários, mas refira-se, a título de exemplo, a Áustria ou a República Checa, por terem populações mais próximas (em número) à população do nosso país.

Em Portugal hesitámos no uso generalizado de meios de proteção, no encerramos de fronteiras, no controlo nos aeroportos.

No início era desaconselhável o uso de máscara, atualmente é recomendável o uso da máscara, como meio adicional de proteção. Provavelmente dentro de algum tempo até será de uso obrigatório (como em alguns países). Esta indefinição cria alguma incompreensão na população.

Ainda assim é notável a postura dos portugueses. Tiveram desde cedo uma prática de confinamento como atitude de combate à propagação doença.

Como é louvável o trabalho desenvolvido por profissionais de saúde, das forças policiais e de proteção civil, e dos setores económicos que mantiveram as estruturas produtivas e de distribuição que tem permitido o funcionamento do país.

Já se prevê a abertura da economia, ainda que de forma gradual, algo que será necessário que aconteça para que o país possa assegurar o seu futuro. Estes próximos quinze dias irão ditar se tal é possível de acontecer. É preciso que todos cumpramos o confinamento, algo essencial para que se atinja o objetivo de abertura da economia.

As entidades patronais têm um importante papel a cumprir, deverão assegurar meios de proteção para os seus trabalhadores. É essencial que o façam. É uma medida de saúde pública, mas também é a defesa dos seus trabalhadores, e a garantia de estabilização do funcionamento da economia.

 

Fiquem bem, fiquem em casa

Até para a semana

Rui Mendes

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