Da Mulher ao voto

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 13 Março 2024
Da Mulher ao voto
  • Paula Pita

Sexta-feira comemorou-se o Dia Internacional da Mulher.
Por todo o lado houve odes à Mulher.
Nas redes sociais, nas montras das lojas, nos restaurantes… todos se apressaram a louvar a Mulher. Milhares de flores foram oferecidas. Milhares de Mulheres celebraram com mais ou menos fulgor, com mais ou menos felicidade.
No sábado, voltou tudo ao mesmo!
As mulheres fizeram um longo caminho, desde os tempos da submissão absoluta, da existência enquanto filha de, mãe de, irmã de, até aos nossos dias em que, em abstrato, têm os mesmos direitos que o homem.
Infelizmente, para estar em pé de igualdade com o homem, tem que trabalhar e provar que é melhor que os seus pares masculinos. Funções iguais, salários diferentes, com as mulheres a perder, independentemente das categorias profissionais, face aos homens, 12,5%. Remuneração, progressão na carreira, acesso a chefias intermédias, cargos com maior nível hierárquico nas empresas continuam a penalizar as mulheres. Os filhos continuam a ser um critério de seleção, embora escondido, e as tarefas domésticas continuam a recair na mulher, sendo um trabalho desvalorizado.
Um dos direitos que as mulheres têm em comum com os homens, nos nossos dias, é o direito ao voto. Muita luta, muito sofrimento por parte de mulheres para conseguirem ter uma palavra nos destinos do país.
O sufrágio universal foi uma das conquistas de Abril, nele incluído o voto feminino.
Desde sempre, em democracia, a Assembleia da República teve representadas mulheres no conjunto de deputados. Em 1976 apenas quinze até ao máximo de 89 deputadas em 2019. Desde 2015 que a presença feminina representa um terço dos deputados, a que não é estranho o impacto da Lei da Paridade, que estabelece que as listas para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu e para as autarquias têm que ser compostas de forma a assegurar a representação de 33% de cada um dos sexos.
Nas primeiras eleições para a Assembleia Constituinte, em 1975, votou mais de 90% da população. A partir daí, a abstenção foi aumentando ao longo dos anos. O valor mais alto ocorreu em 2019 que ultrapassou a participação.
Nas eleições do passado domingo, registou-se uma redução significativa da abstenção quase ao nível dos anos 90, mas, numa democracia, idealmente, deveria estar próxima do zero.
Votar é um dever cívico, assente numa responsabilidade de cidadania.É uma tomada de posição face às questões que estão em jogo, em que cada indivíduo dá o seu contributo para a procura das melhores soluções para a comunidade ou país.
Não votar, é colocar-se fora de qualquer decisão, assumindo o egoísmo do individualismo e inexistência de um sentido de cidadania e de solidariedade.

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