De bestial a besta!

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 24 Junho 2020
De bestial a besta!
  • José Policarpo

 

 

O primeiro foco de covid 19 com dimensão só gora surgiu no Alentejo. Segundo o noticiado já serão algumas dezenas os infetados em Reguengos de Monsaraz, temendo-se que seja comunitário e terá tido a sua origem num lar.

Com efeito, esta realidade vem ao arrepio do que tem sucedido desde que a pandemia chegara ao nosso país. O Alentejo, a região, em Portugal continental, foi a que apresentara menos casos e a razão, pelo menos para um leigo, deverá estar ligada à baixa densidade populacional existente no Alentejo.

Prenso, com efeito, que neste particular estarei acompanhado pela maioria das pessoas que aqui residem. Fica, portanto, a pergunta: Se o Alentejo nunca teve surtos desta dimensão, o que é que agora de diferente acontecera? A razão oficial está ligada ao desconfinamento. Maior mobilidade das pessoas implica mais contactos. Sucede que os contactos podem ocorrer em maior número, mas não significa proporcionalmente, mais infetados.

Na verdade, Portugal é dos países europeus que, mais infetados tem tido nas quatro últimas semanas, por 100 000 habitantes. Ou seja, o desconfinamento não parece explicar tudo, porquanto os outros países europeus também iniciaram o processo de desconfinamento e, só com a exceção da Suécia e da Alemanha, todos os outros, veem o número dos infetados a diminuir.

Dito isto, exige-se das autoridades competentes, autarquias, organismos desconcentrados do Estado e da administração central, que comuniquem com os portugueses de forma clara e sem a ocultação de informação. Só com a implicação e comprometimento de todos poderemos combater a doença sem matar a economia. Por isso, o tempo presente não é para calculismo partidários, nem para ambições pessoais. Os erros cometidos agora, são, no futuro, dívida e, consequentemente, menos dignidade na vida das pessoas.

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