De novo em Jerusalém

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 14 Maio 2021
De novo em Jerusalém
  • Alberto Magalhães

 

 

De um lado os falcões israelitas, com Benjamin Netanyahu à cabeça. Do outro lado os falcões palestinianos, organizados no Hamas, apadrinhado e orientado pelo Irão. Ambos cada vez mais radicalizados e cada vez com mais apoio popular junto de judeus e árabes, respectivamente. Pois a violência dos extremistas, coloca cada vez mais pressão sobre as populações, cada vez mais em pânico por se sentirem encurraladas.

Israel, um Estado mais pequeno do que o nosso concelho de Odemira, foi, praticamente desde a sua fundação, um país rodeado por inimigos que não admitem a sua existência. Sobrevive graças à sua superioridade bélica. Para quem lá nasceu ou lá procurou porto seguro, a percepção de que a sobrevivência está sempre por um fio marca, certamente, a maneira de lidar com as situações. Levam por isso muito a sério as ameaças de extermínio que nunca deixaram de receber. Netanyahu mantém-se no poder e abusa do poder com a ajuda do Hamas e, sobretudo, do Irão.

Os palestinianos sentem-se espoliados das suas terras, desde a fundação de Israel. Por muitos anos, décadas, seguiram Yasser Arafat, líder da Fatah, que por muitos anos, décadas, se recusou a alinhar no sistema “dois países, uma capital”, consignado pela ONU, em 1947, para substituir o protectorado inglês da Palestina. Com o acordo de Camp David em 1989, e o de Oslo em 1993, teve início a administração pela Autoridade Palestiniana da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, com Arafat à cabeça. Com o patrocínio de Bill Clinton, em 1999, o primeiro-ministro israelita Ehud Barak propôs a criação do Estado Palestiniano e dispôs-se a aceitar algumas reivindicações de Arafat. Este não achou suficiente e rejeitou a proposta e não fez qualquer contraproposta, o maior disparate desta história inteira. A partir daí a direita subiu ao poder em Israel, até hoje; a Autoridade Palestiniana perdeu a Faixa de Gaza para o Hamas; e tudo está cada vez mais complicado. Agora, até dentro de Israel, entre judeus e árabes de nacionalidade israelita, cresce a hostilidade e a desconfiança. Teme-se o pior.

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