De Portugal

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 10 Junho 2022
De Portugal
  • Alberto Magalhães

Porque hoje é Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, cito o início de um livro saído há pouco da tipografia, do filósofo João Maurício Brás e de seu nome ‘O Atraso Português – Modo de Ser ou Modo de Estar?’: “Portugal é um dos mais antigos países europeus. País pequeno nas suas dimensões geográficas, mas também em influência política, económica e cultural. Paradoxalmente, apesar da nossa dimensão, fomos uma das maiores potências mundiais num percurso que se consolida no século XV, atravessa o século XVI e deixará uma herança para os séculos seguintes” (e mais adiante), “Estivemos no topo do mundo. Hoje somos, excetuando a propaganda dos media nacionais, um país pequeno e insignificante, agradável pelo clima e pela gastronomia, mas com problemas de atraso muito sério no plano económico e noutros vectores do desenvolvimento. O que nos aconteceu?’

Uma possível resposta para esta pergunta de João Brás, encontrei-a num poema de Miguel Torga, intitulado

Viagem

É o vento que me leva.

O vento lusitano.

É este sopro humano

Universal

Que enfuna a inquietação de Portugal.

É esta fúria de loucura mansa

Que tudo alcança

Sem alcançar.

Que vai de céu em céu,

De mar em mar,

Até nunca chegar.

E esta tentação de me encontrar

Mais rico de amargura

Nas pausas da ventura

De me procurar…

in ‘Diário XII’

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