De surpresa em surpresa

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 07 Julho 2021
De surpresa em surpresa
  • José Policarpo

 

 

O nosso país há muito que está definido ao nível da sua idiossincrasia, na sua forma de estar e de pensar. Grandes vultos da elite portuguesa, como Camões, Eça, Pessoa, Alexandre Herculano, bem como alguns contemporâneos, como por exemplo, Vasco Polido Valente e António Barreto, dedicaram parte da sua criação intelectual a analisar o povo português e os pontos de chegada são convergentes.

Em suma, definiram-no como sendo um povo ciclo tímido vivendo estados de grande euforia e outros de grande tristeza. Mas, o povo português não tem razão, nem numa coisa, nem noutra. Pois, faz coisas medianas e, em regra, poucos contributos dá para a afirmação da nação no espaço global.

Na minha opinião, um titular de um cargo político terá sempre a sua atuação e desempenho sob o escrutínio da avaliação politica. À exceção da sua vida privada tudo é político e público. As regras são as que são e quem não concordar não se coloque a jeito…

Ou seja, se um detentor de cargo político violar as regras de conduta inscritas naquilo que determina a sã convivência em sociedade, essa violação deverá ser submetida à avaliação política. É assim em todos os regimes democráticos. Este tem deveres e obrigações acrescidos relativamente ao comum dos cidadãos. Por isso, estou certo, que esta discriminação negativa é compreendia pelas pessoas de bem.

O senhor ministro da administração interna, na minha opinião, não tem perfil para ser ministro de coisa alguma. Sendo uma avaliação pessoal é, absolutamente, irrelevante para aquilo que irei tratar a seguir.

A circulação automóvel, em sentido lato, é potenciadora do dano morte. Por isso, a atividade automóvel encerra em si mesmo risco e, consequentemente, é geradora de responsabilidade independentemente de culpa. Ou seja, os danos resultantes da condução automóvel provocados a terceiros são geradores de responsabilidade imputada ao condutor.

Relativamente, à morte do cidadão português e alentejano Nuno Santos, aparentemente, provocada pelo automóvel que transportava um ministro da república portuguesa, ocorrida há duas semanas, na A6, sentido este/oeste, pouco ou nada podemos acrescentar aquilo que é do conhecimento público.

Na verdade, o malogrado cidadão Nuno Santos morrera, na A6, junto ao separador central, e há um automóvel utilizado pelo estado português envolvido no acidente, que está danificado na parte da frente do lado esquerdo. As perguntas e as respostas para esta situação, num Estado de direito, deverão ser colocadas e respondidas pelas entidades competentes.

Outra coisa bem diferente é a atuação do Estado português a propósito deste caso. O senhor ministro envolvido no acontecimento remeteu-se ao silêncio deixando que a especulação grassasse na opinião pública. Houve, no entanto, um comunicado do ministério tutelado pelo ministro em questão, cujo teor foi muito criticado por não ser claro e ser, também, sugestivo, por isso, parcial.

Ora, impunha-se a qualquer ministro envolvido numa tragédia como esta a falar claro e a dizer o que viu, bem como manifestar a total solidariedade para com os familiares da vítima. Nada do que foi feito pelo ministro o dignifica. E se não o dignifica a ele, sendo o próprio representante do Estado português, também não poderá dignificar

o povo português.

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