Debates e comentadores

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 12 Fevereiro 2024
Debates e comentadores
  • Alberto Magalhães

Há quem despreze o valor dos debates eleitorais, por demasiado curtos, e há quem considere absurdo que os comentadores pós-debate tenham mais tempo de antena que os líderes partidários. Percebo os pontos de vista, mas, tendo assistido a quase todas as refregas, acho que vale a pena o exercício. O pouco tempo disponível para expor ideias e terçar argumentos é mais do que suficiente para apreciar atitudes, expressões corporais e reacções emocionais, e, com base na sua leitura, intuir da sinceridade, convicção, sentido de responsabilidade e capacidade de liderança dos personagens. Quanto aos comentadores, quando são perspicazes e competentes, permitem-nos confrontar as nossas impressões e reapreciá-las; quando são, voluntária ou involuntariamente, tendenciosos ou, simplesmente, incompetentes, há que estudá-los como curiosidades exóticas, mesmo que sejam do mais vulgar, ou insultá-los, embora comedidamente, poupando-nos ao estresse.

Termino, por hoje, com um exemplo flagrante de personagem exuberantemente tendenciosa. Uma tal Margarida Davim que, convidada pela CNN para comentar o debate entre Paulo Raimundo e Luís Montenegro, atribuiu um Bom ao primeiro e um Mau ao segundo, por se ter quedado pelo Porto e não ter tido a coragem de vir enfrentar o líder comunista, olhos nos olhos, nos estúdios da capital. Ora, Raimundo é, visivelmente, um erro de casting ou a expressão da vontade colectiva inconsciente de eutanasiar o moribundo PCP. Ele sim, merecia um Mau, mas não por ficar em Lisboa, em vez de enfrentar Montenegro no Porto. Também Margarida Davim, a comentadeira, merecia um Mau, mas não por ser mulher. Desengane-se Inês Sousa Real.

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