Democracia sem liberdade

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 14 Outubro 2019
Democracia sem liberdade
  • Alberto Magalhães

 

 

Um filósofo e matemático inglês, Bertrand Russell, que muito me ajudou a pensar na adolescência, falava da galinha bem alimentada pelo agricultor e que não acreditava nos outros animais que a avisavam: “cuidado que ele anda a engordar-te para um dia te cortar o pescoço”. Outro autor, Nassim Nicholas Taleb, no seu livro mais conhecido, O Cisne Negro, conta outra versão, com um peru, que se sente tratado como um rei… até à véspera de Natal.

Ambos queriam avisar-nos para a possibilidade de, subitamente, uma situação que tomamos como segura e garantida, poder desvanecer-se e dar lugar a outra totalmente imprevista.

No final do século XX, depois da queda do muro de Berlim, pareceu a muitos que a democracia liberal – isto é, a democracia com garantia de liberdades, primado da lei e protecção das minorias – estava em expansão e, uma vez adquirida num certo país, decerto se manteria. A ascensão da democracia iliberal – na Rússia, na Polónia, na Hungria, na Turquia, para dar alguns exemplos mais flagrantes – com eleições condicionadas, sem liberdade de expressão, com jornalistas presos ou assassinados -, mas também a ascensão do populismo – com a eleição de Trump, o Brexit, os partidos italianos, por exemplo – têm desmentido o optimismo. Para os amantes da liberdade tornou-se prioritário compreender o que está a acontecer.

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