Dependência, subserviência e decência

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 07 Junho 2021
Dependência, subserviência e decência
  • Alberto Magalhães

 

 

António Costa, na Madeira, onde foi, como secretário-geral do PS, apresentar a moção com que se recandidata, este mês, à liderança do Partido, referiu a importância do mercado turístico britânico, mas alertou, não só para o peso excessivo de actividade turística na nossa economia como para a necessidade de diversificar a origem dos nossos turistas, evitando excessiva dependência dos ingleses. Tanto uma coisa como a outra me parecem evidências.

Mas talvez seja caso de chamar a atenção de António Costa, primeiro-ministro, de que convém não exagerar – mercê destas dependências já antigas – a passividade perante as desconsiderações com que a velha Albion, por vezes, faz questão de nos brindar. É o caso desta súbita retirada de Portugal da lista verde de países que têm o privilégio de receber, sem entraves de monta, os súbditos de sua majestade. Sobretudo, porque nem se deram à fineza de inventar argumentos convincentes. O número de novos infectados na Lusitânia não atingiu linhas vermelhas, a treta dos doze casos da subvariante nepalesa é absurda e sugerir que a positividade de 1,3 em cem testes é o dobro de uma positividade de um em cem testes, é matematicamente indigente e, por isso mesmo, insultuoso.

Então, talvez tivesse sido importante, para a espinha dorsal do país, termos o ministro Santos Silva a chamar às Necessidades, primeiro, o nosso embaixador em Londres, para explicar o que anda a fazer por lá; segundo, o embaixador britânico em Lisboa, para pôr os pontos nos is… diplomaticamente, claro está. Eu sei que eles têm lá 400 mil portugueses a viver e as libras dão jeito no Algarve. Mas que diabo, não temos linhas vermelhas? E não temos também uma conjugação de trunfos difícil de replicar (sol, areia e mar, boa comida, simpatia, paz e sossego, preços baixos…). Então?

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