Deputados ou funcionários?

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 22 Março 2019
Deputados ou funcionários?
  • Alberto Magalhães

Um sistema eleitoral que, há décadas, os principais partidos reconhecem ser preciso alterar, mas sem nunca se porem de acordo no modo e no tempo de fazê-lo, não facilita de modo nenhum a dignificação da figura do deputado da nação, que mais representa o partido que o acolheu na sua lista, que os eleitores que nessa lista votaram.

Para ajudar à festa, o ar do tempo favorece o discurso que trata os políticos como inimigos do povo ou sobretudo indiferentes à sorte do povo, apenas interessados em tratar da própria vidinha e do património pessoal. Curiosamente, esta onda populista tem contado com a ajuda inestimável dos próprios deputados. Por exemplo, para ganharem mais uns trocos, e sem coragem para assumir remuneração adequada, submeteram-se ao controlo do livro de ponto – como se de meros funcionários se tratassem – para logo serem apanhados a fazer batota, como gaiatos de escola a copiarem no exame.

Agora, depois de anos a esquecerem-se de entregar a obrigatória declaração de rendimentos, ou de a entregar incompleta ou mal preenchida, resolvem entregar-se à tutela de uma entidade fiscalizadora, a criar junto do Tribunal Constitucional, em vez de simplesmente dotar o dito cujo de meios humanos adequados às exigências da tarefa.

Precisamos de um sistema que nos dê deputados responsáveis e politicamente responsabilizáveis e não de deputados que cedam às exigências dos coletes coloridos.

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