Desconfinar / proteger as pessoas

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 16 Abril 2021
Desconfinar / proteger as pessoas
  • Rui Mendes

 

 

Portugal está em fase de desconfinamento. A partir da próxima segunda-feira o país irá retomar a normalidade possível, ainda que continuemos em estado de emergência por mais quinze dias.

Lidamos com a Covid desde março do ano passado e, talvez por isso, fomo-nos habituando a conviver com ela.

Contudo, a nossa tranquilidade e segurança só será novamente adquirida quando a população estiver vacinada ou, pelo menos, quando estiver vacinada uma significativa parte da população. Algo que não se vislumbra num horizonte de proximidade.

Portugal e restantes países da UE não têm sido grandes exemplos no que respeita à vacinação. Outros países têm conseguido vacinar as suas populações a um ritmo bem mais rápido, mostrando assim que é possível vacinar a população num período mais reduzido.

Talvez por isso alguns dos países da União Europeia tenham optado por recorrer, per si, à aquisição de vacinas, fora da contratação pela Comissão Europeia, de forma a imprimir mais rapidez na vacinação das suas populações.

E fazem-no porque sabem que só assim a pandemia será verdadeiramente controlada, evitando novas vagas de Covid-19 nos seus países.

Se o problema da vacinação tem sido centralizado na falta de vacinas, quer por baixa resposta da produção, quer por incumprimento dos prazos de entrega das vacinas por parte das farmacêuticas, outro problema, não menos grave, começa a ser bastante perturbador, o problema dos efeitos secundários gerados por algumas vacinas.

A vacina da AstraZeneca tem sido alvo de vários reportes.

Esta semana a Irlanda suspendeu temporariamente a aplicação da vacina da AstraZeneca, para analisar e decidir a que faixas etárias ela deverá ser aplicada, a Dinamarca anunciou que deixa de utilizar a vacina da AstraZeneca devido aos seus efeitos secundários, enquanto que a Alemanha deixará de a administrar nas segundas doses, em muitos países ela não é administrada em todas as faixas etárias.

Naturalmente que se instala um clima de desconfiança na opinião pública.

Surge agora a suspensão da vacina da Johnson&Johnson.

Começam-se a levantar tantas suspeitas que a Comissão Europeia já equaciona a não renovação dos respetivos contratos.

E tudo isto após a Agência Europeia do Medicamento (EMA) ter aprovado estas vacinas, pelo que teremos que confiar na sua segurança e eficácia.

As vacinas serão, no imediato, a arma para combater o vírus, e será por esta via que se reduzirão substancialmente o número de mortes resultantes da Covid-19.

Ora, se no contexto atual já é difícil vacinar a um ritmo aceitável. Pondo em causa estas vacinas, o ritmo será ainda mais baixo. Os que não ficarem protegidos pela vacina ficarão desprotegidos face ao vírus.

Nesta matéria, a Europa tem mostrado o que é a Europa. Um conjunto de Estados soberanos que não se conseguem entender em coisas basilares.

Na semana passada António Costa referiu sobre a vacina da AstraZeneca: “Tenho muita pena que não tenha sido possível haver uma posição comum”. Esqueceu António Costa de dizer que Portugal também tem contribuído para este pouco entendimento, porque também Portugal já suspendeu a aplicação da vacina AstraZeneca, tendo ajudado a criar o clima de desconfiança.

Portugal está num momento particularmente delicado. Está a desconfinar e a abrir todo um conjunto de atividades sem que a sua população esteja protegida, apenas uma pequena parte está vacinada, e, ao mesmo tempo, levantam-se dúvidas quanto à aplicação de algumas vacinas.

O dever do Estado é proteger as pessoas.

Haja sensatez. É o que se exige.

 

 

Até para a semana

 

Rui Mendes

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