Descongelamento das carreiras dos professores

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 08 Junho 2018
Descongelamento das carreiras dos professores
  • Rui Mendes

 

 

A reunião entre o Governo e os sindicatos para acordo do descongelamento das carreiras dos professores resultou numa decepção.

A posição dos sindicatos era conhecida, a do Governo diverge do princípio que assumiu desde o primeiro momento, que é de descongelar as carreiras e, consequentemente, pagar os custos dessas alterações, e repor rendimentos.

Ora, o descongelamento das carreiras apenas se terá verificado em algumas carreiras, e ainda assim com os respectivos efeitos remuneratórios a serem pagos pelo período de dois anos. Dito de outra forma, uma promessa dada em 2015 terá os seus efeitos em 2020.

E falamos apenas de reposições salariais, pois que as valorizações salariais, caíram em total esquecimento pelos nossos governantes. É assunto tabu no governo.

Para quem veio no inicio da governação oferecer tanto é de facto muito pouco. Ficam muito aquém do esperado.

Diremos que nos ficámos apenas pelo discurso e por um optimismo continuado.

O governo tanto arrastou o dossier do descongelamento das carreiras dos professores que não poderia dar noutra coisa que não a reacção daquele grupo profissional.

Sentem-se enganados e com razão.

Para quem proclama que o trabalho deve ser valorizado tem práticas opostas ao que defende.

É que há mais de nove anos que os professores não vem as suas remunerações melhoradas. E o que hoje o Governo lhes oferece é uma mão cheia de nada.

Os professores são profissionais públicos que merecem respeito, e merecem ser tratados com a devida distinção. Não de outra forma.

O Estado terá de compensar os seus funcionários com um tratamento igual. Não se compreenderá que adoptem formas diferentes.

O problema começou com as expectativas criadas pelo Governo. Se não tinha condições orçamentais para assumir estes encargos deveria tê-lo referido logo.

Não quando estamos quase a entrar no último ano da governação e quando a este Governo caberá a execução de apenas mais um Orçamento de Estado.

Se não existiam condições orçamentais não deveria sequer ter sido criada qualquer expectativa.

Se existe um problema orçamental para acomodar os custos com as progressões dos professores, e eventualmente de profissionais integrados em outras carreiras, então temos sido enganados.

Em primeiro porque o impacto orçamental destas progressões será do conhecimento do Governo desde o primeiro momento, algo que terá sido continuadamente oculto.

Em segundo porque o governo quase que diariamente diz que virou a página da austeridade, o que não combina com a razão invocada de falta de dotação orçamental.

Em terceiro porque a economia está em desaceleração, pelo que teremos um menor crescimento económico em 2019, e consequentemente menor receita, pelo que é avisado que se reduza a despesa. Algo que o Governo sabe mas omite, mas que não deixa de nos preocupar.

O que é inaceitável é que existam tratamentos diferenciados e que se criem falsas expectativas.

Aqui sempre fomos dizendo que continuamos a viver em austeridade. É certo que é uma austeridade mais escondida, porque esse será o sentido que se lhe quis dar.

Ainda assim o assunto do descongelamento da carreira dos professores não estará arrumado. Pelo contrário. Agora é que despertou.

 

Até para a semana

Rui Mendes

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