(Des)Cuidar de Évora

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 23 Janeiro 2023
(Des)Cuidar de Évora
  • Bruno Martins

A 15 de outubro de 2021 tomavam posse os eleitos da Câmara e da Assembleia Municipal de Évora na sequência das eleições autárquicas de setembro desse ano. Desde então, o executivo municipal passou a ser constituído por dois elementos da CDU (presidente e vice-presidente) e cinco vereadores (dois do PS, outros dois da coligação PSD/CDS e uma vereadora do Movimento Cuidar de Évora).

Passado mais de um ano, recordo nesta crónica as minhas palavras, em nome do Bloco de Esquerda, na cerimónia de tomada de posse da Assembleia Municipal de Évora. Constatei que, em Évora, teríamos um Presidente de Câmara cuja coligação partidária representava apenas 28,5% de representação no órgão executivo (Câmara Municipal) [2 eleitos

em 7] e que no órgão deliberativo (Assembleia Municipal) teria 24,2% de representação [8 eleitos em 33]. Tendo em conta estes resultados, afirmei claramente que o povo eborense exigiria a responsabilidade de promover escolhas claras e de uma negociação em torno de propostas que assegurassem um acordo para o mandato. Rematei da seguinte forma: “O amor a Évora foi declarado por todos antes das eleições, veremos muito rapidamente como se traduz esse amor: se pela via da solidariedade, da responsabilidade, do compromisso, ou se falamos antes de um amor mais próprio do que outra coisa, centrado em interesses individuais em torno de pequenos e podres poderes.”

Infelizmente, passado um ano, fica claro que não há vontade de nenhuma das forças políticas eleitas para o executivo municipal em promover um acordo de estabilidade para o mandato. Uma irresponsabilidade total das e dos eleitos que fica bem clara no que está a acontecer a 22 de janeiro de 2023: ausência de Orçamento e das Grandes Opções do Plano para o ano corrente e nenhuma perspetiva do envio do documento para análise do órgão deliberativo: a Assembleia Municipal. O que vemos? Um passar de culpas: a oposição que diz que não tem documento para analisar e um presidente de câmara que afirma que teria preferido elaborar o documento com propostas prévias.

Entretanto, somos o único Concelho do Distrito em que o Orçamento anual não foi votado e discutido na Câmara e muito menos na Assembleia. Mas o que isso interessa? Parece interessar pouco. O que parece interessar a quem foi eleito para a Câmara é utilizar todos os momentos para tentar partir na “pole position” para as próximas eleições, sendo que me parece que alguns estão desejos que tal aconteça o mais depressa possível…

Desde as eleições que peço a existência de um acordo de estabilidade para os próximos anos em Évora. Infelizmente, estes apelos não têm sido ouvidos. E Évora assim segue… Descuidada…

Até para a semana!

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