Descuido ou tacticismo

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 03 Abril 2024
Descuido ou tacticismo
  • José Policarpo

Um país onde a planificação é a exceção e o improviso é a regra, dificilmente poderá ombrear com os mais bem-sucedidos. Não é conversa de pessimista, os dados falam por si. O desenvolvimento é o que é, sofrível, o combate à corrupção é baixo, bem como é baixa a satisfação geral do povo.
Perguntarão os ouvintes: esta conversa vem a propósito do quê? Vem no seguimento da possibilidade de o serviço militar passar a ser obrigatório. Não li o artigo, mas pelas notícias difundidas na comunicação social o Chefe do Estado-Maior da Armada, o Almirante Gouveia e Melo, terá sugerido a necessidade de repristinação da obrigatoriedade deste serviço.
Não fui militar e pouco percebo da atividade castrense, mas sou sensível à atual conjuntura belicista. A Guerra na Ucrânia veio levantar muitos problemas ao nível da integridade territorial dos países que fazem fronteira com a federação russa, fazendo lembrar-me aquela imagem: a maré baixou e os banhistas afinal estavam nus.
Aqui a nudez serve para exemplificar a desmilitarização que a maior parte dos países europeus fora objeto nos últimos anos, quer em homens, quer, sobretudo, em recursos. A produção europeia de bens militares está num nível muito sofrível a atender ao propalado pelos líderes europeus com eco na comunicação social.
Ora, não entendo por que razão esta matéria tão relevante não fora objeto de discussão na última campanha eleitoral em razão da sua maior importância. Com isto não estou a dizer que não se discuta, mas o poder político eleito não tem qualquer legitimidade no quadro vigente para alterar a lei. Por isso, deverá encontrar soluções no quadro legal vigente.

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